Estilo brega? Não. Só mais uma estética feminina sendo julgada.

O problema aqui não é a roupa, mas sim um passado que nos limitou e ainda resiste em 2025. Sentimos a pressão no que escolhemos usar, falar e mostrar. Somos direcionadas a usar determinado estilo se quisermos estar alinhadas ao que se espera da nossa idade. Em uma análise histórica, conseguimos perceber sem grandes dificuldades que o verdadeiro problema, numa sociedade patriarcal, é o simples fato de sermos mulheres.

Desde cedo, em nossos espaços de convivência, nos ensinam que há uma linha tênue entre ser adequada e ser ridícula ou lida com adjetivos desconfortáveis. Na onda da performance e imagem ideal e estratégica, vestir o lúdico ou o divertido traz o peso do descrédito.

Se envelhecemos, somos descartáveis. Se nos vestimos de forma séria, somos velhas. Questionam se isso ou aquilo não condiz com sua idade, seja ela qual for.

O erro nunca é nosso, mas sim existir sob um sistema que impõe regras impossíveis e nos aprisiona a cada escolha. A verdade é que mulheres nunca podem simplesmente ser. As estéticas femininas são vigiadas em cada fase da vida, e o envelhecimento, que deveria ser um processo natural, vira sentença. Moldamo-nos a caber no blazer, na saia mais longa, até repensamos o corte de cabelo.

É exaustivo. Mas a boa notícia é que temos força coletiva para questionar não só padrões estéticos, mas narrativas hegemônicas. Podemos nos lembrar que a nossa aparência e o nosso vestir não deveriam ser um campo de batalha. E eu quero que você comece refletindo, a partir desse texto, o que já ouviu por aí por simplesmente escolher se vestir de si.

Caroline Lardoza

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