(Foto: reprodução/todamateria)

Há alguns dias, caminhava rumo à academia de ginástica quando deparei com uma cena chata. Num ponto de táxi em frente a um supermercado, uma família esperava um veículo para pôr as compras e embarcar. Não lembro exatamente quantas pessoas compunham aquele grupo familiar, mas decerto havia o pai, a mãe e um menino com um saco vazio de biscoitos na mão.

Quando eu estava prestes a passar por eles, o garoto, sem saber o que iria fazer com o pacote vazio, atirou-o no chão. Eu o apanhei, disse ao guri que lugar de lixo é no lixo e não no chão, segui meu caminho e joguei o saco na primeira lixeira que encontrei.

Não sei qual foi a reação dos pais. Não fiquei para ver. Só me lembro da cara do moleque, que ficou surpreso e sem graça. E guardei bem a cara dos taxistas, que adoraram o que eu fiz.

Já tive reação semelhante outras vezes. Numa delas, ralhei com duas mocinhas que, sem saber o que fazer com os copinhos de refresco que haviam acabado de tomar, puseram-nos em cima de um orelhão abandonado. E também já vi gente fazendo de lixeira itens como muros, vasos de planta, bancos de jardim, árvores…

É antigo o mau hábito que o brasileiro possui de jogar lixo em logradouros públicos. Remonta à época do Brasil Império. Os nobres de então saíam às ruas acompanhados por escravos, que iam recolhendo tudo aquilo que seus senhores jogavam no chão. O hábito, pelo visto, se perpetua. Sempre se parte do pressuposto de que alguém irá recolher nosso lixo.

Só que já passou da hora de virarmos essa página e adquirirmos o saudável hábito de jogarmos o lixo no lixo. E por vários motivos. O primeiro deles é que o período colonial/escravagista já passou, e ninguém mais possui escravos ou serviçais que saem por aí juntando a sujeira que porventura deixamos pelo caminho. O segundo é porque, óbvio, as ruas ficam imundas e o lixo pode entupir bueiros (o que resulta em enchentes) ou causar algum acidente (queda de alguém que escorregue num saco plástico, por exemplo). Terceiro: muito do que descartamos é reciclável, como alumínio, vidro, plástico e papelão. São itens que podem gerar renda porque movimentam o mercado de reciclagem. Quarto: o lixo não reciclável (papel molhado e restos de alimentos) pode ser convertido em adubo e fertilizar a natureza.

Por isso, urge prestarmos atenção no assunto e procurar informação sobre os destinos melhores que podemos dar ao que jogamos fora todos os dias. O meio ambiente agradece.

Termino essa crônica com um fato que presenciei há alguns anos dentro de um ônibus. Um casal de namorados sentado próximo a mim estava discutindo porque ele havia jogado algo pela janela e ela não gostou. A desculpa que ele deu é comum e a mais esfarrapada de todas. Disse ele que, com aquela atitude, estava garantindo o trabalho dos garis. Bem, se é assim, vamos deixar de escovar os dentes para garantir o trabalho dos dentistas. Vai ser lindo!

Marcelo Teixeira

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