Censo 2022, IBGE

O censo ou recenseamento demográfico é um estudo estatístico referente a uma população que possibilita o recolhimento de várias informações. O Censo é uma pesquisa realizada a cada 10 anos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tendo sendo feito nas últimas edições em 2010 e agora em 2022; com os resultados liberados esse ano. Segundo o IBGE:

“O Censo Demográfico tem por objetivo contar os habitantes do território nacional, identificar suas características e revelar como vivem os brasileiros, produzindo informações imprescindíveis para a definição de políticas públicas e a tomada de decisões de investimentos da iniciativa privada ou de qualquer nível de governo. Também constitui a única fonte de referência sobre a situação de vida da população nos municípios e em seus recortes internos, como distritos, bairros e localidades, rurais ou urbanas, cujas realidades dependem de seus resultados para serem conhecidas e terem seus dados atualizados.” (Site IBGE)

“O IBGE adota uma política de revisão de dados divulgados desta operação estatística. Por revisão de dados entende-se toda e qualquer revisão programada de dados numéricos, em que são disponibilizadas novas informações que não estavam acessíveis quando da primeira divulgação, tais como: um dado tardio que substitui uma não resposta; ou um dado corrigido pelo próprio informante; ou um conjunto de dados que foi submetido a processo de crítica e imputação.” (Site IBGE)

Os destaques do Censo 2022, de acordo com a Agência IBGE, foram:

Em 2022, a frequência escolar bruta era de 33,9% na população entre 0 e 3 anos e de 86,7% na faixa de 4 a 5 anos. A Meta 1 do Plano Nacional de Educação (PNE) é uma frequência de, no mínimo, 50% para crianças com até 3 anos e de 100% para as crianças de 4 a 5 anos.

Entre os 5.570 municípios brasileiros, em apenas 646 a taxa de frequência escolar bruta das crianças de 0 a 3 anos superava 50% (patamar definido na Meta 1 do Plano Nacional de Educação). Em 325 municípios do país, esse indicador estava abaixo de 10%.

De 2000 a 2022, a frequência escolar cresceu nos grupos etários até os 17 anos. Para as crianças de 0 a 3 anos, a taxa de frequência escolar bruta saltou de 9,4% para 33,9%. Na faixa de 4 a 5 anos, a frequência subiu de 51,4% para 86,7%. No grupo de 6 a 14 anos, próximo da universalização, a taxa foi dos 93,1% aos 98,3%. Na faixa de 15 a 17 anos, a frequência subiu de 77,4% para 85,3%.

O único grupo com recuo na frequência escolar foi o dos 18 aos 24 anos: 31,3% em 2000 e 27,7% em 2022, devido à redução da parcela desses jovens no ensino médio ou em níveis anteriores.

Em 2022, a instrução das mulheres com 25 anos ou mais de idade superava a dos homens. Entre elas, 20,7% tinham nível superior completo. Entre eles, essa proporção era de 15,8%.

De 2000 a 2022, na população do país com 25 anos ou mais de idade, a proporção dos que tinham nível superior completo cresceu 2,7 vezes: de 6,8% para 18,4%. Nesse período, o percentual de pessoas sem instrução ou sem concluir o ensino fundamental caiu de 63,2% para 35,2%.

A proporção da população preta com 25 anos ou mais de idade e nível superior completo cresceu 5,8 vezes no período, saindo de 2,1% em 2000 para 11,7% em 2022. Já a população parda com esse nível de ensino cresceu 5,2 vezes, saindo dos 2,4% em 2000 para 12,3% em 2022.

A proporção da população branca com 25 anos ou mais de idade e nível superior completo cresceu 2,6 vezes no período. As desigualdades permanecem: esse grupo variou dos 9,9% em 2000 para 25,8% em 2022, percentual duas vezes maior que o de pretos ou pardos.

A população de cor ou raça amarela tem o maior percentual com nível superior completo (44,1%) e a menor proporção de pessoas sem instrução ou com fundamental incompleto (17,6%).

Há mais mulheres com superior completo do que homens: 15,3 milhões de mulheres graduadas e 10,4 milhões de homens.

As mulheres têm participação expressiva nos cursos de graduação de assistência social, enfermagem e formação de professores sem áreas específicas.

Em 2022, o Brasil tinha 2.467.521 pessoas graduadas na área detalhada de Direito, e 553.538 pessoas graduadas na área detalhada de medicina.

Em 2022, entre as pessoas com graduação em Medicina,75,5% eram brancas, 19,1% eram pardas e 2,8% eram pretas. Já entre as pessoas com graduação em Serviço social, 47,2% eram brancas, 40,2% eram pardas e 11,8% eram pretas.

De 2010 para 2022, idade mediana subiu de 29 anos para 35 anos, evidenciando o envelhecimento da população.

O índice de envelhecimento, representado pelo número de pessoas com 60 anos ou mais em relação a um grupo de 100 pessoas de até 14 anos, foi de 80,0, indicando que, em 2022, havia 80 pessoas de 60 anos ou mais para cada 100 pessoas até 14 anos.

O que isso significa?

Em relação a 2010, a população preta aumentou 42,3% e sua proporção no total da população subiu de 7,6% para 10,2%. A população parda cresceu 11,9% e sua proporção na população do país subiu de 43,1% para 45,3%. Houve, também aumento de 89% da população indígena, com sua participação subindo de 0,5% para 0,8% – podendo-se notar assim, mudanças na distribuição percentual por cor ou raça da população, com o aumento de declaração por cor ou raça parda, preta e indígena.

A falta de interessados em licenciaturas é um problema que o governo já está buscando solucionar. Em 14 de janeiro deste ano (2025), O governo federal lançou o programa Pé de Meia Licenciaturas, uma bolsa mensal de R$ 1.050 para estudantes de graduação que ingressem em cursos de licenciatura via Sistema de Seleção Unificada (Sisu); sendo R$ 700 com saque imediato e R$ 350 como poupança, com saque após ingresso em uma rede pública de ensino em até cinco anos.

O envelhecimento da população também é algo que já vem sendo discutido. Em 2023 comemorou-se 20 anos do Estatuto da Pessoa Idosa. As projeções do IBGE mostram que em 2070 o Brasil terá três pessoas com mais de 60 anos para cada habitante com até 14 anos, o equivalente a 37,8% da população. Entre os idosos com mais de 80 anos, o percentual da população chegará a 11,4%. Ou seja, um em cada dez habitantes terá 80 anos ou mais.

O Censo 2022 mostrou que temos novos desafios para frente. O que temos que decidir é como enfrentá-los.

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