Cordão do Bola Preta, bloco de carnaval mais tradicional do RJ – Divulgação

Leio em vários sites de veículos de comunicação e também assisto na TV a várias reportagens sobre o Cordão do Bola Preta, bloco de carnaval mais tradicional do RJ (quiçá do Brasil) e que desfilou no dia 1 de março, sábado de carnaval, homenageando a Cidade Maravilhosa, que completou 460 anos. Para tanto, o Bola, como carinhosamente falamos aqui no Rio de Janeiro, arrastou 500 mil pessoas, que se divertiram a valer pelas ruas do Centro.

Fundado há 106 anos pelos irmãos Guimarães (Jair, Joel e Arquimedes), Eugênio Ferreira, Álvaro Gomes de Oliveira e Francisco Brício Filho, o Bola sempre desfila aos sábados de carnaval. É marca registrada da folia carioca. Reconhecido pela irreverência e por sempre abordar temas políticos em tom satírico, o cordão leva o nome de Bola Preta porque, no início, o uniforme utilizado pelos integrantes era cheio de bolinhas pretas. Uma tradição que muitos foliões fazem questão de manter.

A importância do Bola é tão grande para a alma carioca que, em 2004, ele foi reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio de Janeiro.

Com uma bela sede localizada na Cinelândia, o Bola Preta é também conhecido por sempre promover eventos o ano inteiro. É comum ver gente que, na sexta à noite, vai sambar no Bola Preta e retorna para casa às 4h da manhã, morta de cansada e tendo de acordar cedo para trabalhar. Coisas da alma carioca.

Estou fazendo este breve histórico porque tem me incomodado, e já não é de hoje, o fato de muitos veículos da imprensa falarem e escreverem Cordão da Bola Preta em vez de Cordão do Bola Preta. Não sei se onde saiu isso. Preciosismo semântico talvez. Quem sabe até, medo de contrariar o corretor ortográfico do computador. O fato é que, de tanto insistirem nessa correção espúria, o “da Bola Preta” vai acabar pegando. Não acho legal.

Muitos talvez digam que ambos os nomes são válidos. Outros, que se trata de uma discussão infundada. A meu ver, não se brinca com o nome de uma instituição centenária que é patrimônio imaterial da capital fluminense.

Para não deixar dúvidas sobre os meus argumentos, segue a letra da “Marcha do Cordão do Bola Preta”, composta por Vicente Paiva e Nelson Barbosa.

Quem não chora não mama!

Segura, meu bem, a chupeta

Lugar quente é na cama

Ou então no Bola Preta

Quem não chora não mama!

Segura, meu bem, a chupeta

Lugar quente é na cama

Ou então no Bola Preta

Vem pro Bola, meu bem

Com alegria infernal!

Todos são de coração!

Todos são de coração

Foliões do carnaval

Sensacional!

A coisa é tão séria que o bloco, de tão tradicional, possui marchinha própria. Por isso, vamos respeitar e falar e cantar no masculino. É “O Bola Preta” e não se fala mais nisso!

Marcelo Teixeira

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