Seja bem-vindo camarada leitor. Hoje irei começar uma nova série para explicar por que já estamos numa terceira grande guerra e o que nos levou a ela, mas para isso precisamos analisar: quando uma grande guerra ou guerra mundial de fato começa?
Damos data do começo da Primeira Guerra Mundial com a morte do arquiduque Francisco Fernando da Áustria. Péra, é isso mesmo? Sério? Uma guerra de proporções globais começou com o assassinato de um cara? Seria como a terceira guerra explodir com a morte do Kissinger! Hmmm, olhando bem, talvez tenha uma correlação. Vamos investigar.
Se formos ler livros de história ocidentais, dos países que se autointitulam como “democráticos”, veremos que eles descrevem a situação da Europa como um barril de pólvora prestes a explodir, com danças de poder para equilibrar o poder entre eles. Mas nada disso realmente nos ajuda a entender a situação. Vamos seguir um pouco mais esse fio para ver até onde ele nos leva.
Se voltarmos um pouco mais no tempo, vamos ver que o século anterior foi o século das revoluções industriais, do surgimento dos sindicatos e do aquecimento das lutas de classes.
A Revolução Industrial começa quando o estado inglês vende terras que não lhe pertencem para os burgueses. Isso se dá porque os burgueses tinham dinheiro, mas não tinham poder político, vulgo exército, e o estado tinha poder político, mas não tinha dinheiro. Que casal perfeito, não é mesmo?
O estado manda as tropas para tirar os camponeses de suas terras e entregar para os burgueses, esses constroem fábricas e botam os antigos moradores das terras para nelas trabalharem, com jornadas que podiam chegar até 18 horas, com graves incidentes e, claro, muito trabalho infantil.
Não é à toa que surgem grupos de pessoas organizadas para acabar com o sofrimento, pois como as terras já estavam industrializadas e as fábricas já estavam construídas, não havia por que destruí-las, mas havia razões de sobra para lutas humanitárias. Aqui entram em ação os anarquistas, os socialistas e três pessoas muito importantes para o movimento todo: Karl Marx, Friedrich Engels e Mary “Lizzie” Burns.
Juntos, eles estudaram o funcionamento do sistema capitalista e analisaram seus efeitos na economia e na população, unindo-se aos outros movimentos socialistas da época. Diferentemente, no entanto, dos movimentos socialistas que levaram à Revolução Francesa, esses socialistas não eram focados na burguesia, e diferentemente dos outros socialistas contemporâneos, eles não eram idealistas, não propuseram soluções etapistas, mas basearam-se nas provas concretas e materiais que existiam para denunciar o capitalismo.
Essa história, contudo, é para outro momento. Por hoje, basta sabermos que o século XIX foi cheio de lutas sindicais para diminuir o poder dos burgueses. Ao mesmo tempo, foi a consolidação do poder burguês e do enriquecimento dos estados. O capitalismo como o conhecemos hoje ainda não existia. Havia, sim, grandes empresas privadas, mas a maioria era fechada com seus governos. Agora, há uma característica muito importante que precisa ser levada muito a sério no capitalismo: ele promete crescimento infinito.
Para qualquer um que consiga somar 2 + 2, essa promessa vai soar rapidamente como uma mentira, pois ela é uma mentira. Mesmo que o dinheiro e todo sistema econômico sejam conceitos inventados da nossa cabeça, eles se baseiam e interferem no mundo material. Portanto é bem possível que alguém tenha dinheiro infinito – ou perto disso, pelo menos. O problema é que tudo ao seu redor vai custar infinito também, vide o Yen, a Lira e por aí vai.
O problema de prometer crescimento infinito é que nós vivemos num planeta rochoso de recurso finitos, limitados. E quando os burgueses trabalham com o estado para conseguir crescimento infinito, bem, a história fica feia. Veja bem, o que é o crescimento do estado? Isso tem um nome: expansionismo; é o que teu amigo comunista chama de imperialismo. O expansionismo propõe que um estado tenha o direito e a necessidade de expandir seus territórios para suprir suas necessidades e vontades.
Há um pequeno problema em relação a isso. E se a tua nação não for a única expansionista? Bem podemos olhar para o império Azteca. Eles eram expansionistas, e não acabou bem para eles. Mesmo que o Cortéz não tivesse chegado, os Aztecas teriam se aniquilado, pois eles precisavam de terras para os soldados, e, para manter o império, precisavam de soldados, o que levava a pegar mais terras, o que, por sua vez, criava necessidade para mais soldados, ou seja, crescimento infinito num mundo finito.
Foi o que aconteceu na Primeira Guerra. Várias nações se expandiram à custa de nações menores, engolindo-as. Nos livros, isso é chamado de colonialismo.
Mas o que acontece quando as nações pequenas acabam? Lênin tem a resposta: elas continuam se engolindo, e quando nações se engolem, isso é traduzido como guerra. Mas quando todas as nações remanescentes acreditam na mesma mentira de crescimento infinito, temos múltiplas nações engolindo umas às outras, pois não há mais espaço para expandir a não ser à nação vizinha.
Lênin previu a Primeira Guerra com 15 anos de antecedência, mais ou menos. Parece um feito incrível, mas quando você para e percebe que todos hoje estão falando de terceira guerra, dá para considerar que ele não foi o único. E assim como hoje nós não temos o poder aparente para prevenir tal acontecimento, é válido pensar que o mesmo aconteceu lá atrás.
A Primeira Guerra Mundial começou no começo do século XIX, quando o estado inglês acreditou na promessa de crescimento infinito.
A terceira guerra começou em 2016, mas para sabermos o motivo, iremos analisar nas próximas semanas.
Muito obrigado por ler até aqui, te espero semana que vem.
Alan Falciani
Mary “Lizzie” Burns
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