A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta terça-feira (10) o advogado e professor universitário Cordovil Antônio Nogueira Martins, acusado de estupro de vulnerável contra pelo menos quatro menores de idade. A investigação, conduzida pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), identificou duas vítimas confirmadas: uma menina de 10 anos e outra de 14, ambas moradoras de comunidades cariocas.

Segundo os investigadores, o suspeito utilizava sua posição no Núcleo de Prática Jurídica da universidade em que lecionava para se aproximar de famílias em situação de vulnerabilidade social e econômica. Aproveitando-se da confiança estabelecida, oferecia lanches e pequenos benefícios às crianças, atraindo-as para sua residência, onde cometia os abusos e registrava as cenas em vídeo.

A investigação teve início após troca de informações com organismos internacionais, que apontaram a produção e o armazenamento de pornografia infantil em dispositivos vinculados ao professor. Durante as diligências na casa do acusado, além de equipamentos eletrônicos, foram encontradas substâncias entorpecentes, cuja origem ainda será apurada em procedimento separado.

Em depoimento, Cordovil alegou que as relações foram consensuais e que as menores teriam aceitado ser filmadas. A delegada responsável pelo caso, Maria Luiza Machado, refutou a versão, destacando que se trata de estupro de vulnerável, crime em que não há possibilidade de consentimento por parte das vítimas.

O mandado de prisão temporária foi cumprido no bairro do Grajaú, zona norte do Rio. A defesa do acusado, representada pelo advogado José Agripino da Silva Oliveira, informou que só se manifestará após a audiência de custódia.

Contexto mais amplo

O caso se soma a uma série de denúncias recentes envolvendo estupro de menores que têm vindo à tona nos últimos dias, revelando um padrão alarmante de exploração de crianças em situação de vulnerabilidade. A repetição desses episódios expõe não apenas a fragilidade das redes de proteção, mas também a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes e de vigilância social constante. Cada nova denúncia reforça a dimensão estrutural do problema e a urgência de enfrentá-lo com rigor, transparência e responsabilização.

Nos últimos dias, o Brasil tem registrado uma sequência de casos de estupro de menores que expõem a gravidade da violência sexual contra crianças e adolescentes. Além da prisão do professor universitário no Rio, houve denúncias de estupro coletivo em Copacabana e na baixada fluminense, novas leis sancionadas para reforçar a proteção às vítimas e dados alarmantes sobre a frequência desses crimes.

Casos recentes de estupro de menores no Brasil

  • Estupro coletivo em Copacabana (RJ) Uma adolescente de 17 anos foi vítima de estupro coletivo na Zona Sul do Rio. Quatro jovens foram denunciados e tiveram mandados de prisão expedidos. Todos foram detidos. O caso gerou forte repercussão nacional e trouxe à tona a vulnerabilidade de meninas adolescentes em situações de violência sexual .
  • Estupro coletivo em São João de Meriti (RJ) Uma adolescente de 13 anos foi vítima de estupro coletivo na Baixada Fluminense. Sete homens foram denunciados, incluindo um adolescente de 17 anos, e tiveram mandados de prisão expedidos. Cinco permanecem foragidos. O caso gerou forte repercussão nacional e trouxe à tona a vulnerabilidade de meninas adolescentes em situações de violência sexual .

Detalhes dos casos

O caso de estupro coletivo em Copacabana envolve uma adolescente de 17 anos, violentada por cinco jovens em um apartamento na Zona Sul do Rio, no dia 31 de janeiro de 2026. A vítima reconheceu os suspeitos na delegacia e relatou agressões físicas e psicológicas durante o crime.

  • Data e local: 31 de janeiro de 2026, em um apartamento em Copacabana, Zona Sul do Rio.
  • Vítima: Adolescente de 17 anos.
  • Suspeitos: Cinco jovens, quatro maiores de idade (19 e 18 anos) e um adolescente de 17 anos.
  • Dinâmica: A vítima foi atraída para o apartamento por um dos suspeitos e, ao resistir, sofreu agressões físicas. Segundo familiares, ela pediu diversas vezes para que parassem, mas foi ignorada.
  • Reconhecimento: A jovem identificou os agressores na delegacia, detalhando a participação de cada um.

Situação judicial

  • O adolescente de 17 anos, apontado como “mentor” do crime, se entregou à polícia e teve internação provisória determinada pela Justiça, sendo encaminhado ao sistema socioeducativo (Degase).
  • Os outros quatro suspeitos maiores de idade foram denunciados e seguem sob investigação. Todos estão presos, incluindo o menor.
  • A Justiça do Rio manteve a apreensão do menor em audiência de custódia, reforçando a gravidade do ato infracional análogo ao estupro coletivo.

Repercussão

  • O caso gerou grande comoção pública e foi destaque em veículos nacionais.
  • A avó da vítima relatou que a adolescente pediu “dezenas de vezes” para que os agressores parassem, mas foi brutalmente violentada.
  • A jovem apresenta marcas físicas e sofre abalo psicológico profundo, segundo familiares.
  • Organizações de direitos humanos e parlamentares cobraram respostas rápidas e punições severas, destacando que o episódio expõe a vulnerabilidade de adolescentes em contextos urbanos.

Uma adolescente de 13 anos foi vítima de estupro coletivo em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, em fevereiro de 2026. O crime, cometido por um grupo de homens armados, chocou a região e provocou forte reação política e social.

  • Local: Comunidade Trio de Ouro, em São João de Meriti, Baixada Fluminense.
  • Data: 2 de fevereiro de 2026.
  • Vítima: Menina de 13 anos, confundida com a namorada de um integrante de facção rival.
  • Dinâmica: A adolescente foi capturada por criminosos, baleada de raspão na cabeça e levada a um “tribunal do tráfico”, onde sofreu violência sexual coletiva.
  • Suspeitos: Sete envolvidos, incluindo um adolescente de 17 anos. Cinco permanecem foragidos.
  • Investigação: Conduzida pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São João de Meriti.

Repercussão

  • O caso gerou revolta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), com deputados cobrando investigações rápidas e punições severas.
  • Organizações de direitos humanos destacaram que o episódio expõe a vulnerabilidade de meninas em áreas dominadas por facções criminosas.
  • A Polícia Civil intensificou buscas pelos suspeitos, divulgando cartazes e acionando o Disque Denúncia para obter informações.

Dados nacionais alarmantes

Estupros cometidos por adolescentes Levantamento do CNJ mostra que os casos de estupro de vulnerável cometidos por menores de 18 anos mais que dobraram entre 2020 e 2025, passando de 784 para 1.704 processos. Especialistas apontam fatores sociais e digitais como causas do aumento .

Contexto e implicações

O caso do professor universitário preso no Rio se insere em um cenário mais amplo de crescimento das denúncias e da visibilidade da violência sexual contra menores. A combinação de vulnerabilidade social, exploração de confiança e ausência de políticas públicas eficazes cria um ambiente propício para a repetição desses crimes.

A nova legislação e os dados recentes reforçam que o país enfrenta uma epidemia silenciosa, em que a maioria dos casos sequer chega às autoridades — apenas 7,5% dos estupros são reportados, segundo especialistas.

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