Katatonia hipnotiza São Paulo em noite de contrastes

Enquanto o Lollapalooza atraía multidões do pop no outro extremo de São Paulo, o Cine Joia tornou-se o epicentro de uma catarse bem distinta na noite de sábado (21/03). Veteranos da melancolia, os suecos do Katatonia retornaram ao Brasil com a turnê de seu mais recente trabalho, Nightmares as Extensions of the Waking State (2025), reafirmando por que ostentam uma das carreiras mais sólidas e respeitadas do metal europeu.

A abertura ficou sob a responsabilidade do projeto instrumental Falchi. Liderado pela guitarrista Jéssica Falchi (ex-Crypta), o conjunto entregou uma performance técnica e vigorosa. Com a casa já lotada, Jéssica provou seu virtuosismo e foi ovacionada por um público que claramente reconhece seu peso na cena nacional.

Jéssica Falchi

Quando Jonas Renkse e companhia subiram ao palco, a atmosfera mudou. Distante da “horda da tristeza” do início dos anos 90, o Katatonia de hoje é uma entidade do metal progressivo e alternativo. O setlist equilibrou o frescor do novo álbum com clássicos indispensáveis: a agressividade contida de “Leaders” (The Great Cold Distance), a fluidez de “Lethean” (Dead End Kings) e a densidade emocional de “Old Heart Falls” (The Fall of Hearts).

A sonoridade atual da banda é um exercício de contraste. É música pesada, mas sem pressa; densa, mas extremamente sofisticada. Com vocais limpos e uma produção impecável, o show no Cine Joia foi uma imersão intimista em melodias sombrias que provam que, após 30 anos, o Katatonia ainda sabe como transformar angústia em arte de alto nível.

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