Uma Celebração Telúrica de 30 Anos de “Wolfheart”

São Paulo é conhecida por ser a cidade que nunca dorme, mas em um domingo recente, ela provou ser também o epicentro do metal lusitano. O que começou como uma viagem para conferir o Katatonia transformou-se em uma experiência transcendental com o retorno do Moonspell ao Brasil. Dividindo a noite com os conterrâneos do Sinistro, Fernando Ribeiro e companhia entregaram uma apresentação única e memorável.

SINISTRO

A abertura ficou a cargo do Sinistro, que inundou a casa com seu “doom” melancólico e densas camadas sonoras. O destaque absoluto foi a frontwoman Patrícia Andrade; seus vocais limpos e teatrais criaram um contraste magnético com as bases de tons baixíssimos e lentidão opressiva.

Foto: Roberto Valleck

A banda personificou a “saudade” portuguesa em forma de distorção, preparando o terreno com uma carga emocional densa e absurdamente pesada.

Foto: Gisele Britto

Após a troca de palco, a ansiedade era palpável. Sob uma iluminação azulada e o som hipnótico de centenas de lobos uivando, o Moonspell iniciou a celebração das três décadas do icônico álbum Wolfheart (1995).

Sem espaço para hesitação, abriram com “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)” e “Love Crimes”. A performance técnica foi impecável, com destaque para os backing vocals que trouxeram um brilho extra às composições, complementando a presença de palco magnética de Fernando Ribeiro — que manteve o público na palma da mão durante todo o set.

Album: Wolfheart (1995)

A jornada musical não se limitou ao Wolfheart. A banda revisitou o EP Under the Moonspell (1994), mas retornou a celebração fazendo o público delirar com hinos como “Trebaruna” e “Vampiria” ambas do album Wolfheart (1995) . Atendendo ao clamor da plateia, o grupo trouxe o hino gótico “Opium” (do álbum Irreligious, 1996), além de “Scorpion Flower” (Night Eternal, 2008) e a já tradicional e emocionante versão de “Lanterna dos Afogados”, dos Paralamas do Sucesso.

O ápice da noite, porém, foi a participação de Jairo Guedz (The Troops of Doom, ex-Sepultura). Sua entrada para o clássico “Alma Mater” incendiou a pista, unindo a história do metal luso e brasileiro em um só coro. O encerramento veio com a grandiosa “Full Moon Madness”, selando uma noite de celebração à altura do legado da banda.

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