Em uma conversa franca e direta, Cláudia Campos, presidente da ABEMD, revisita sua trajetória desde a periferia de Diadema até a liderança de uma das principais associações de marketing de dados do país. Mulher cis, preta, de 49 anos, formada em Publicidade, com MBA em gestão de pessoas e negócios, formação em psicologia clínica e pós-graduação em neurociência em andamento, ela conta como o estudo e o trabalho desde os 13 anos abriram caminhos em empresas como Citibank, Nextel e Unilever. À frente da ABEMD há oito anos, assume o cargo em um momento crítico, com a entidade quase fechando as portas e mais de R$ 3 milhões em dívidas. Nesta entrevista, ela fala sobre a reestruturação financeira e cultural da associação, a mudança de perfil para atrair novas gerações, o Prêmio ABEMD 2026 e o papel da inteligência artificial no mercado de dados, sempre reforçando que a tecnologia não substitui a essência humana das relações.
Revista Páhnorama: Para começarmos, conte um pouco sobre você: de onde você veio e qual é a sua formação?
Cláudia Campos: Sou Cláudia Campos, tenho 49 anos, sou uma mulher cis, preta, nascida na periferia de Diadema, na divisa com São Paulo. Sou formada em publicidade — cursada contra a vontade de todos na época, pois era um curso elitista —, com MBA em gestão de pessoas e negócios, psicologia clínica e terminando uma pós em neuro.
RP: Como foi a experiência de sair da periferia e chegar à faculdade naquela época? Você foi a primeira da família?
CC: Minha irmã foi a primeira; eu fui a segunda. Sabíamos que o estudo iria mudar nossa vida. Eu passei na PUC para Direito, mas acabei seguindo a minha paixão pela criatividade e televisão, indo para a Publicidade. Trabalhei desde os 13 anos em comércios locais, fábricas e recepção até entrar no mundo corporativo em grandes empresas como Citibank, Nextel e Unilever, sempre focada na área de negócios e marketing.
O Desafio de Liderar a ABEMD

Revista Páhnorama: Como se deu a sua chegada à presidência da ABEMD? Sabemos que a associação passou por momentos delicados.
Cláudia Campos: Assumi a presidência em um momento em que a associação estava praticamente fechando suas portas, com mais de R$ 3 milhões em dívidas. Enxerguei a oportunidade de aplicar uma cultura de negócios, gestão compartilhada e proximidade humana. Hoje, após oito anos à frente da entidade, conseguimos reestruturar as finanças, pagar metade da dívida e modernizar a atuação da associação, unindo o marketing direto ao guarda-chuva amplo de dados.
RP: Qual era o perfil histórico da ABEMD e como ele mudou sob a sua gestão?
CC: Antigamente, a associação era predominantemente masculina e voltada para um público mais velho, quase como um clube de aposentados do marketing direto. Como uma mulher preta à frente da instituição, trouxe uma visão mais igualitária e diversa. Hoje, queremos atrair a nova geração que está saindo da faculdade, usando a tecnologia, a inovação e o ecossistema de dados a favor do mercado.O Prêmio ABEMD e as Inovações para o Futuro
RP: O Prêmio ABEMD é o grande destaque do ano. O que o público e o mercado podem esperar para esta edição?
CC: A premiação é o nosso maior case e funciona como uma verdadeira conferência anual, reunindo cerca de 500 profissionais do mercado. Para este ano, além de mantermos o rigor técnico na avaliação dos cases — que passam por um corpo de jurados de alto nível —, estamos introduzindo uma forte pauta de sustentabilidade e governança em parceria com empresas como a Creativista e a Ecaplan. Queremos medir e reduzir o impacto ambiental do evento, dando o primeiro passo para que outras premiações do setor adotem essa preocupação.
RP: Como você enxerga o futuro da associação e do mercado diante de tecnologias como a Inteligência Artificial?
CC: Para o meu negócio e para a associação, a Inteligência Artificial é ganho puro. Quem souber trabalhar com os prompts e se reinventar vai crescer. O caminho não tem volta, mas a essência humana, a troca de experiências e o relacionamento continuam sendo insubstituíveis.
Ao longo da conversa, Cláudia Campos deixa claro que liderança, para ela, combina gestão rigorosa de negócios com proximidade humana e compromisso com a diversidade. Da superação das dívidas da ABEMD à introdução de pautas de sustentabilidade e governança no Prêmio ABEMD 2026, realizado na Casa Giardini, em São Paulo, sua gestão busca modernizar a associação sem perder de vista o relacionamento e a troca de experiências. Diante da inteligência artificial, ela enxerga ganho puro para quem souber se reinventar, mas insiste: a essência humana continua insubstituível. A trajetória de uma mulher saída da periferia que chegou à presidência de uma entidade historicamente masculina e envelhecida serve, ao mesmo tempo, como case de gestão e como exemplo de como inovação e inclusão podem caminhar juntas no marketing de dados.
A data da cerimônia do Prêmio ABEMD 2026, 24 de setembro de 2026.
A tradicional festa de premiação de marketing de dados acontecerá na Casa Giardini, em São Paulo, com o coquetel iniciando às 18h e o jantar/cerimônia a partir das 20h.
