A passagem de dois tornados pelo Oeste de Santa Catarina, na manhã de quarta-feira, 4 de novembro, provocou uma das ocorrências meteorológicas mais graves registradas recentemente no estado. Chapecó e Xanxerê foram atingidas por fenômenos confirmados pela Defesa Civil estadual, que provocaram destelhamentos, destruição de estruturas, interrupções no fornecimento de energia elétrica e danos em residências, estabelecimentos comerciais e prédios públicos.
O cenário se tornou ainda mais preocupante nesta quinta-feira (5), quando as autoridades confirmaram a segunda morte relacionada aos temporais que atingem Santa Catarina desde o último domingo (1º).
O levantamento estadual aponta que 106 municípios registraram ocorrências relacionadas às condições meteorológicas. São 5.358 residências afetadas, 252 pessoas desalojadas, 56 desabrigadas e 23 municípios que já decretaram situação de emergência.

No Oeste catarinense, Chapecó concentra parte expressiva dos prejuízos. O aeroporto da cidade teve estruturas internas comprometidas, hangares atingidos e operações de pousos e decolagens suspensas por tempo indeterminado.
A dimensão dos acontecimentos exige atenção não apenas pelos danos materiais, mas principalmente pelas consequências humanas, econômicas e sociais de uma sequência de tempestades que continua mobilizando equipes de emergência em diferentes regiões do estado.
DOIS TORNADOS FORAM CONFIRMADOS EM MENOS DE UMA HORA
A confirmação dos fenômenos ocorreu após análises técnicas realizadas pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, que examinou imagens de radar meteorológico e identificou características compatíveis com a formação de tornados.
Os registros apontaram circulação rotativa dos ventos no interior das tempestades e presença de detritos levantados pela força do sistema meteorológico.
Os dois fenômenos foram identificados em municípios do Oeste catarinense, em um intervalo de aproximadamente 18 minutos.
Confira a sequência dos acontecimentos:
- 10h30: primeiro tornado identificado em Chapecó.
- 10h48: segundo fenômeno identificado em Xanxerê.
- 4 de novembro: equipes municipais e estaduais iniciaram os atendimentos às ocorrências e o levantamento dos prejuízos.
- 5 de novembro: Defesa Civil confirmou os dois tornados e atualizou o balanço de vítimas e municípios atingidos.
A confirmação técnica é importante porque nem toda tempestade com ventos extremamente fortes pode ser classificada como tornado. A identificação depende de evidências meteorológicas específicas, entre elas a circulação rotativa dos ventos associada ao fenômeno.

A ocorrência simultânea de dois tornados em municípios próximos demonstra a intensidade do sistema de instabilidade que avançou sobre a região.
A Defesa Civil também trabalha com a possibilidade de que outros municípios tenham sido atingidos por fenômenos semelhantes, o que depende de novas avaliações técnicas.
VENTOS DE ATÉ 126 KM/H EM CHAPECÓ: O QUE OS DADOS REALMENTE REVELAM
Um dos números que mais chamaram a atenção durante a ocorrência foi a velocidade dos ventos.
Em Chapecó, uma estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou rajadas de até 126 km/h. Em outro ponto da cidade, uma estação da própria Defesa Civil estadual registrou 93 km/h.
A diferença entre as medições merece explicação.
Os equipamentos estavam instalados em locais distintos e, portanto, registraram condições diferentes da mesma tempestade. Além disso, a velocidade medida por uma estação meteorológica não representa necessariamente a velocidade máxima dos ventos no interior de um tornado.
Em Xanxerê, a estação da Defesa Civil registrou rajadas de aproximadamente 80 km/h, embora as condições locais possam ter apresentado velocidades superiores em outros pontos.
Também circularam informações sobre ventos de até 131 km/h em diferentes localidades atingidas pelos temporais em Santa Catarina. Esse número não deve ser confundido com a medição específica do Inmet em Chapecó.
É importante fazer essa distinção para que a cobertura jornalística não transforme uma medição localizada em uma estimativa indevida da intensidade máxima dos tornados.
O que os registros já demonstram é que a região enfrentou ventos suficientemente intensos para arrancar coberturas, comprometer estruturas metálicas, derrubar árvores e provocar danos em diferentes tipos de edificações.
Chapecó está entre os municípios mais atingidos pelos temporais.

O balanço divulgado pelas autoridades aponta aproximadamente 2.400 residências afetadas na cidade. Os estragos atingiram bairros e localidades diferentes, com registros de coberturas arrancadas, estruturas danificadas e interrupções no fornecimento de energia.
Entre as regiões mencionadas nos levantamentos estão:
- Quedas do Palmital;
- Palmital;
- Palmital dos Fundos;
- Seminário;
- Universitário.
A dimensão dos danos ultrapassa os prejuízos estruturais.
Para muitas famílias, perder parte do telhado significa enfrentar problemas imediatos de segurança, exposição à chuva, perda de móveis, eletrodomésticos e outros bens adquiridos ao longo de anos.
Em situações dessa natureza, a recuperação não termina quando o vento diminui. É necessário reconstruir moradias, restabelecer serviços, recuperar estabelecimentos comerciais e garantir condições mínimas para que as famílias retornem à normalidade.
A prefeitura e as equipes de atendimento municipal mobilizaram ações de assistência, incluindo distribuição de lonas e levantamento das necessidades dos moradores.
Unidades de saúde também registraram danos. O Centro de Saúde Seminário permaneceu fechado nesta quinta-feira (5), segundo informações divulgadas sobre o atendimento municipal.
O impacto sobre a infraestrutura pública acrescenta outra dificuldade: justamente quando a população precisa de mais serviços, parte da estrutura responsável por oferecê-los também foi atingida.
AEROPORTO DE CHAPECÓ: TERMINAL, HANGARES E ESTRUTURAS FORAM ATINGIDOS
Um dos episódios mais impressionantes da ocorrência foi a destruição parcial da infraestrutura do Aeroporto Serafim Enoss Bertaso, em Chapecó.
A força dos ventos atingiu diferentes áreas do complexo aeroportuário, incluindo o saguão principal, estruturas internas e hangares.
Imagens aéreas divulgadas após a tempestade mostram partes da cobertura comprometidas, estruturas danificadas e escombros espalhados pelo local.

Uma aeronave de pequeno porte também aparece entre os equipamentos atingidos nas imagens.
Diante dos danos, a concessionária Voe Xap suspendeu as operações de pousos e decolagens por tempo indeterminado, enquanto equipes técnicas realizam vistorias para avaliar a segurança da infraestrutura e as condições necessárias para a retomada das atividades.
Avião da Azul teve de interromper a decolagem
Um dos momentos mais delicados ocorreu quando uma aeronave da Azul, identificada como voo AD4274, estava na pista e se preparava para decolar.
Com a chegada da tempestade, a tripulação precisou interromper o procedimento.
Registros divulgados pela imprensa mostram a comunicação entre a aeronave e a torre de controle. A situação exigiu cautela dos profissionais, que relataram dificuldades de visibilidade e movimentação da aeronave provocada pela intensidade dos ventos.
A decisão de interromper a decolagem foi uma medida de segurança diante das condições meteorológicas.
A ocorrência também evidencia a importância dos procedimentos de segurança operacional da aviação, especialmente em situações nas quais mudanças meteorológicas severas acontecem em poucos minutos.
O que os passageiros precisam saber
A orientação da concessionária é que passageiros não se dirijam ao aeroporto enquanto as operações estiverem suspensas.

Quem possui passagem comprada deve:
- Entrar em contato diretamente com a companhia aérea.
- Consultar a situação do voo.
- Verificar as possibilidades de remarcação ou reacomodação.
- Acompanhar os comunicados oficiais da administradora do aeroporto.
Até a atualização desta reportagem, em 5 de novembro, não havia confirmação de uma data para a retomada das operações.
A prioridade é concluir as avaliações estruturais e garantir que o terminal ofereça condições seguras para funcionários e passageiros.
DUAS MORTES CONFIRMADAS: UMA EM XANXERÊ E OUTRA EM RIO NEGRINHO
2 mortes confirmadas
O balanço mais doloroso dos temporais é o número de vidas perdidas.
A Defesa Civil estadual confirmou duas mortes relacionadas aos acontecimentos meteorológicos. As vítimas morreram em circunstâncias diferentes, em municípios distintos.
É importante esclarecer que as duas mortes não ocorreram diretamente nas áreas de passagem dos tornados de Chapecó e Xanxerê. Ambas foram relacionadas aos efeitos dos temporais que atingiram Santa Catarina.
1. Jovem de 20 anos morreu após desabamento de cobertura de posto
A primeira morte foi registrada em Rio Negrinho, no Norte de Santa Catarina.
Jonathan Oliveira da Cruz, de 20 anos, morreu após o desabamento da estrutura de cobertura de um posto de combustíveis localizado às margens da BR-280.
A estrutura não resistiu à força dos ventos e atingiu o jovem.
A morte foi confirmada pelas autoridades e provocou manifestações de pesar.
A Rede de Postos M7, onde Jonathan trabalhava, divulgou uma manifestação lamentando a perda e prestando solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho.
O caso evidencia os riscos associados à permanência em áreas próximas de estruturas metálicas, coberturas e construções que podem apresentar comprometimento durante tempestades severas.
2. Mulher morreu após choque elétrico provocado por cabo de alta tensão em Xanxerê
A segunda morte foi confirmada na quinta-feira (5).
Uma mulher de 46 anos morreu em Xanxerê após entrar em contato com um cabo de alta tensão que havia se rompido durante o temporal.
Segundo as informações divulgadas, a vítima foi encontrada por equipes de emergência por volta das 19h30 de quarta-feira (4), em contato com a fiação energizada.
O atendimento exigiu o isolamento da área e o acionamento da concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica para interromper a alimentação da rede.
A ocorrência demonstra um dos riscos mais graves que permanecem depois da passagem de tempestades: a presença de cabos elétricos rompidos em vias públicas, calçadas, terrenos e áreas residenciais.

Mesmo quando a chuva diminui e os ventos perdem intensidade, o perigo pode continuar presente.
Um fio caído no chão deve ser tratado como energizado, mesmo que não apresente sinais visíveis de eletricidade.
A orientação é manter distância, impedir a aproximação de outras pessoas e acionar imediatamente os serviços de emergência e a concessionária de energia.
A identidade da mulher não havia sido divulgada nas informações consultadas para esta reportagem.
O TAMANHO DA DESTRUIÇÃO: MAIS DE 5,3 MIL RESIDÊNCIAS AFETADAS
Os dois tornados integram uma sequência mais ampla de tempestades que começou no domingo, 1º de novembro, e atingiu diferentes regiões de Santa Catarina.
O balanço estadual divulgado nesta quinta-feira mostra a extensão dos prejuízos.
Santa Catarina em números
BALANÇO DIVULGADO EM 5 DE NOVEMBRO DE 2026
106
Municípios com ocorrências
5.358
Residências afetadas
252
Pessoas desalojadas
56
Pessoas desabrigadas
23
Municípios em emergência
2
Mortes confirmadas
Fonte: balanço da Defesa Civil de Santa Catarina reproduzido em 5/11/2026. Os dados podem sofrer atualização.
Entre os municípios com maior número de residências atingidas estão:
| Município | Residências afetadas |
|---|---|
| Chapecó | 2.400 |
| Fraiburgo | 891 |
| Palmitos | 209 |
| Guatambu | 132 |
| Paraíso | 130 |
Somente esses cinco municípios concentram 3.762 residências afetadas.
O número demonstra a dimensão territorial dos danos e a necessidade de uma resposta que vá além das ações emergenciais.
É preciso garantir materiais para reconstrução, assistência às famílias, atendimento social, recuperação de serviços essenciais e apoio aos pequenos comerciantes e produtores que tiveram suas atividades comprometidas.
Além disso, 23 municípios já haviam decretado situação de emergência, permitindo a adoção de medidas administrativas específicas para enfrentar os prejuízos.
Nove municípios haviam solicitado itens de assistência humanitária, incluindo materiais destinados ao atendimento das famílias atingidas.
A TEMPESTADE NÃO ATINGIU APENAS O OESTE: OUTRAS REGIÕES TAMBÉM ENFRENTAM PREJUÍZOS
Embora Chapecó e Xanxerê tenham concentrado a atenção por causa dos tornados, os efeitos meteorológicos foram muito mais abrangentes.
O Alto Vale do Itajaí também enfrentou alagamentos, elevação dos níveis dos rios, interdições de estradas e necessidade de retirada de moradores de áreas consideradas vulneráveis.
Em Lages, na Serra Catarinense, ruas ficaram alagadas e mais de 670 pessoas foram afetadas pelas chuvas, segundo informações divulgadas no balanço dos temporais.
Equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros atuaram no atendimento à população, inclusive com operações de retirada de moradores utilizando embarcações.
A situação demonstra que os riscos meteorológicos não se limitam aos tornados.
Chuvas volumosas, enxurradas, alagamentos, deslizamentos, descargas elétricas e ventos fortes podem produzir consequências igualmente graves, inclusive em regiões que não registraram tornados.
O atendimento simultâneo de diferentes municípios exige planejamento, integração entre órgãos públicos e capacidade de resposta rápida.
AULAS SUSPENSAS E SERVIÇOS PÚBLICOS AFETADOS
Diante da gravidade das ocorrências, o governo estadual determinou a suspensão das aulas presenciais da rede pública estadual na quarta-feira (4) e na quinta-feira (5).
Em Chapecó, as atividades da rede municipal também foram interrompidas.
A medida buscou reduzir a circulação de estudantes e profissionais durante o período de maior instabilidade e enquanto as equipes realizavam avaliações de segurança nas estruturas.
Além das escolas, unidades de saúde e outras edificações públicas também registraram prejuízos.
A interrupção de serviços essenciais representa um problema adicional para as comunidades atingidas, especialmente para moradores que dependem exclusivamente do atendimento público.
A recuperação dessas estruturas precisa integrar o planejamento emergencial, pois a população necessita de assistência médica, educação e serviços básicos justamente no período posterior à ocorrência.
POR QUE SANTA CATARINA ESTÁ REGISTRANDO TANTOS TEMPORAIS?
A sequência de ocorrências meteorológicas está relacionada à atuação de sistemas de instabilidade atmosférica sobre a Região Sul do Brasil.
Os temporais começaram a atingir Santa Catarina no domingo, 1º de novembro, com registros de chuva intensa, granizo e rajadas de vento.
A aproximação e a passagem de sistemas frontais, combinadas com a presença de calor e umidade, favorecem o desenvolvimento de tempestades intensas.
Em determinadas condições, essas tempestades podem apresentar correntes de ar ascendentes muito fortes e circulação rotativa, criando ambientes favoráveis à formação de tornados.
É importante diferenciar três fenômenos:
Tempestade severa: sistema meteorológico capaz de produzir chuva intensa, granizo, raios e ventos fortes.
Vendaval: ocorrência de ventos intensos, que podem provocar destelhamentos, queda de árvores e danos estruturais.
Tornado: coluna de ar em rotação intensa, associada a uma nuvem de tempestade e em contato com a superfície.
Os tornados podem apresentar trajetórias relativamente estreitas, mas provocar danos muito concentrados e severos.
Já os vendavais associados a sistemas de tempestade podem atingir áreas mais extensas.
Essa distinção ajuda a compreender por que municípios próximos podem apresentar níveis de destruição bastante diferentes, mesmo quando atingidos pelo mesmo sistema meteorológico.
O fenômeno tem relação com as mudanças climáticas?
A discussão sobre mudanças climáticas é necessária, especialmente diante dos impactos cada vez mais relevantes de eventos meteorológicos extremos.
Entretanto, é fundamental respeitar os limites da apuração científica.
Não é possível afirmar que os dois tornados de Santa Catarina foram causados diretamente pelas mudanças climáticas apenas com base na ocorrência desses fenômenos.
Para estabelecer uma relação científica entre determinado evento e o aquecimento global, são necessárias análises específicas de atribuição climática, que avaliam como as mudanças nas condições climáticas alteraram a probabilidade ou a intensidade de determinado acontecimento.
O que se pode afirmar é que a preparação para eventos extremos, o monitoramento meteorológico e a capacidade de resposta das cidades precisam fazer parte das políticas públicas permanentes.
A prevenção não deve começar depois da destruição.
NOVOS TEMPORAIS PODEM ATINGIR SANTA CATARINA NOS PRÓXIMOS DIAS
A melhora nas condições meteorológicas observada nesta quinta-feira (5) não significa que o estado esteja completamente livre de riscos.
A previsão divulgada pela Epagri/Ciram e os boletins meteorológicos estaduais indicam a possibilidade de retorno das instabilidades a partir de sexta-feira (6).
Uma nova frente fria em formação deve favorecer a ocorrência de temporais isolados, com possibilidade de raios, chuva intensa, rajadas de vento e granizo.
Para sábado (7), também existe previsão de instabilidade em diferentes regiões catarinenses.
As condições podem mudar conforme a evolução dos sistemas meteorológicos e as novas atualizações dos órgãos oficiais.
Por isso, moradores das regiões afetadas precisam acompanhar os alertas e evitar deslocamentos desnecessários durante tempestades.
A situação exige atenção redobrada porque estruturas danificadas, árvores comprometidas e redes elétricas atingidas podem continuar oferecendo riscos mesmo depois do fim da ocorrência principal.
O QUE FAZER DURANTE UM TORNADO OU TEMPESTADE SEVERA?
A orientação da Defesa Civil é procurar abrigo em uma construção segura, preferencialmente em um cômodo interno, afastado de janelas e portas de vidro.
Algumas medidas são fundamentais:
- Procure abrigo imediatamente em uma construção resistente.
- Afaste-se de janelas, portas de vidro e áreas externas.
- Evite permanecer embaixo de árvores, placas, postes ou estruturas metálicas.
- Não tente atravessar áreas alagadas.
- Não permaneça dentro de veículos durante a passagem de ventos extremos.
- Mantenha distância de fios elétricos caídos.
- Evite circular próximo a construções parcialmente destruídas.
- Acompanhe os avisos meteorológicos emitidos pelas autoridades.
Em caso de emergência, os principais telefones são:
| Serviço | Telefone |
|---|---|
| Defesa Civil | 199 |
| Corpo de Bombeiros | 193 |
| SAMU | 192 |
| Polícia Militar | 190 |
A prevenção também depende da informação. Compartilhar alertas oficiais, orientar familiares e vizinhos e não divulgar vídeos ou mensagens sem confirmação são atitudes que podem evitar situações perigosas.
A RECONSTRUÇÃO DEPOIS DA TEMPESTADE: QUEM VAI AJUDAR AS FAMÍLIAS A RECOMEÇAR?
Os números apresentados pela Defesa Civil revelam apenas uma parte da dimensão dos acontecimentos.
Atrás de cada residência atingida existe uma família que precisa recuperar seus pertences, proteger seus filhos, reorganizar a rotina e encontrar recursos para reparar os danos.
Para trabalhadores autônomos, comerciantes e pequenos empresários, uma estrutura destruída pode representar dias ou semanas sem faturamento.
Para agricultores, os prejuízos podem comprometer instalações, equipamentos, plantações e a continuidade da produção.
Para quem perdeu o telhado, o problema é imediato: como proteger a família, os móveis e os documentos enquanto aguarda a chegada da assistência?
É nesse momento que a atuação do poder público precisa ser acompanhada pela sociedade.
O reconhecimento de uma situação de emergência é importante, mas não resolve sozinho as necessidades de quem perdeu parte ou a totalidade de sua estrutura residencial.
É necessário acompanhar a distribuição de materiais, a liberação de recursos, a recuperação dos serviços públicos e o atendimento às pessoas que precisaram deixar suas casas.
Também é fundamental garantir transparência sobre os recursos destinados à reconstrução e sobre os critérios utilizados para identificar as famílias prioritárias.
A solidariedade da população tem papel importante, mas não substitui a responsabilidade institucional de oferecer proteção e assistência.
O QUE ACONTECEU EM SANTA CATARINA PRECISA ENTRAR NO DEBATE SOBRE PREVENÇÃO
Os tornados confirmados em Chapecó e Xanxerê, somados aos demais temporais, deixam uma questão que precisa ser discutida com seriedade: as cidades brasileiras estão preparadas para responder a eventos meteorológicos cada vez mais severos?
Não basta emitir alertas. É necessário que a população saiba interpretá-los, que as escolas tenham protocolos de segurança, que hospitais e aeroportos possuam planos de contingência e que as estruturas urbanas sejam avaliadas regularmente.
Também é necessário investir em monitoramento, sistemas de comunicação, mapeamento de áreas vulneráveis e treinamento das equipes responsáveis pelo atendimento emergencial.
O episódio catarinense mostra que uma tempestade pode comprometer, em poucos minutos, moradias, estruturas comerciais, serviços públicos e sistemas de transporte.
A reconstrução precisa começar com assistência imediata, mas não pode terminar apenas na reposição de telhas e reparos nas edificações.
É preciso transformar a experiência em aprendizado institucional.
Afinal, quando uma família perde sua casa, quando um trabalhador perde a vida ou quando um aeroporto precisa interromper suas operações, não estamos falando apenas de meteorologia. Estamos falando de segurança, planejamento urbano, responsabilidade pública e proteção da vida.
E fica uma pergunta que merece ser feita: quantas famílias brasileiras ainda precisarão perder suas casas, seus bens ou até mesmo seus entes queridos para que a prevenção contra eventos climáticos extremos deixe de ser tratada como uma medida emergencial e passe a ser uma prioridade permanente do poder público?
A Revista Pàhnorama continuará acompanhando os desdobramentos, a atualização dos números oficiais e as medidas adotadas pelas autoridades para atender os municípios atingidos.
SERVIÇO: ONDE ACOMPANHAR AS INFORMAÇÕES OFICIAIS
Para acompanhar a evolução dos temporais, os alertas meteorológicos e as medidas de assistência à população, consulte os canais institucionais:
- Defesa Civil de Santa Catarina: alertas, boletins meteorológicos e informações sobre ocorrências.
- Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet): avisos meteorológicos e dados de monitoramento.
- Epagri/Ciram: previsão do tempo e acompanhamento das condições meteorológicas.
- Prefeitura de Chapecó: informações sobre assistência, serviços e atendimento municipal.
- Prefeitura de Xanxerê: comunicados e orientações à população.
- Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina: orientações de segurança e atendimento de emergências.
