
Em um tempo em que as transformações sociais exigem respostas cada vez mais profundas, a circulação do conhecimento surge como um pilar indispensável para o futuro. É exatamente nesse cenário que se consolida o Alma Talks, uma iniciativa cultural e itinerante focada no compartilhamento de saberes, no desenvolvimento pessoal, no autoconhecimento e no estímulo ao pensamento crítico. Ao percorrer diversas capitais do país reunindo grandes intelectuais, pensadores, escritores e especialistas, o projeto cumpre uma missão urgente: descentralizar o debate de temas complexos como: ética, inteligência emocional, relações humanas, raça e sociedade e entregá-los ao grande público em um formato dinâmico, acessível e profundamente inspirador.
Sem mais delongas vamos ao que realmente importa:
A noite de domingo, 2/08, foi marcada por um momento singular de conexão e reflexão no Teatro Città, na Barra da Tijuca. Com lotação máxima e todas as cadeiras ocupadas por uma plateia atenta e entusiasmada, o evento recebeu a presença ilustre da filósofa, professora e escritora Djamila Ribeiro, atração principal da edição.
A programação teve início com uma calorosa sessão de autógrafos no palco do teatro, na qual o público pôde vivenciar um contato direto, afetivo com a autora. Essa atmosfera de troca e escuta generosa preparou o terreno para a conferência, reafirmando o Alma Talks como uma plataforma essencial para diálogos que tocam a essência humana e cultural.
Com a plateia completamente mobilizada pela energia do encontro, Djamila subiu ao palco para ministrar a palestra “Lugar de Fala”, pautada em sua obra homônima que se tornou um marco no pensamento contemporâneo brasileiro.

Mestre em Filosofia Política pela UNIFESP — onde desenvolveu sua dissertação analisando o conceito de interseccionalidade a partir das obras de pensadoras pioneiras como Patricia Hill Collins e Audre Lorde —, Djamila Ribeiro consolidou-se como uma das vozes mais expressivas e necessárias do país na discussão sobre gênero e raça.
Sua projeção internacional reflete a dimensão de sua contribuição: é a primeira brasileira a integrar o prestigiado programa Dr. Martin Luther King Jr. Visiting Scholars and Professors, no MIT (EUA), e ocupa a cadeira nº 28 da Academia Paulista de Letras. Laureada com o Prêmio Jabuti e reconhecida pela BBC como uma das 100 mulheres mais influentes do mundo, Djamila alia rigor teórico e clareza didática para desmantelar as engrenagens do racismo estrutural e evidenciar o papel central da mulher negra na construção da sociedade brasileira.

Durante cerca de uma hora e meia de apresentação, a filósofa conduziu o público por uma jornada reflexiva baseada em três eixos centrais:
A Escuta e Legitimidade: trazendo uma análise profunda sobre como as diferentes posições sociais (gênero, raça e classe) condicionam a visibilidade e as oportunidades de fala na esfera pública;
As Estruturas Sociais: A desconstrução da ilusão de neutralidade no debate social, convocando a todos para uma responsabilidade ética e coletiva;
E claro, Além do Protagonismo: O papel do engajamento crítico e da ação política consciente frente aos desafios da contemporaneidade.
Mais do que uma exposição acadêmica, a noite no Teatro Città foi um lembrete do poder da palavra quando colocada a serviço da empatia e da justiça social. Ao transformar a complexidade da teoria filosófica em um convite aberto ao diálogo, Djamila Ribeiro não apenas preencheu o palco, mas acendeu na plateia a urgência de olhar para o outro com verdadeira atenção. O Alma Talks, assim, cumpriu sua missão mais nobre: provar que, quando mentes e corações se reúnem em busca de conhecimento, o pensamento crítico deixa de ser um conceito abstrato para se tornar uma força viva de transformação.

Ser uma mulher Negra em um mundo que estigmatiza certas pessoas devido à raça e ao gênero é compreender instintivamente a natureza da identidade, inerentemente marcada por nuances. (Chimamanda Ngozi –Lugar de Fala).
