Por Jackson Vasconcelos
Dr. Helinho, um advogado militante, nascido em Itaguaí, visitou a sede do Amor pelo Rio e participou de um podcast com Jackson Vasconcelos. O Amor pelo Rio é um projeto que abre espaços para a divulgação e valorização da marca Rio, representada pela cidade do Rio de Janeiro; pelo Estado do Rio de Janeiro, que abriga outras 91 cidades, uma delas, Itaguaí e por um povo, cariocas e fluminenses, nascidos no território ou adotados pela paixão.
Situada entre a Região Metropolitana e a Costa Verde, Itaguaí ocupa uma posição singular na geografia fluminense. Está próxima da capital, voltada para a Baía de Sepetiba e localizada em uma área estratégica de ligação entre alguns dos principais centros econômicos do país.
Uma história que vem de longe
As origens de Itaguaí remontam ao período colonial. A região teve aldeamentos indígenas administrados por jesuítas, atividades agrícolas destinadas ao abastecimento da cidade do Rio de Janeiro e uma economia que, ao longo dos séculos XVIII e XIX, envolveu açúcar, mandioca, arroz, feijão, milho e café.
A própria história oficial do município registra a existência do Engenho de Nossa Senhora da Conceição de Itaguahy, conhecido como Engenho do Facão, cuja construção começou em 1790.
Em 22 de dezembro de 1795, Itaguaí foi elevada à categoria de paróquia. O município foi criado no início do século XIX, consolidando uma trajetória própria dentro da história fluminense. Dom Pedro I passou pela região quando seguia para São Paulo na viagem que culminaria na proclamação da Independência, em 1822.
Essa memória permanece associada à região da Serra da Calçada e à chamada Rota da Independência, um dos patrimônios históricos e naturais que ajudam a revelar uma Itaguaí muito diferente da imagem exclusivamente industrial que muitos brasileiros têm do município.
Entre serras, rios, ilhas e a Baía de Sepetiba, Itaguaí possui uma geografia privilegiada. De um lado, o mar e a Baía de Sepetiba. Do outro, serras cobertas pela Mata Atlântica. Entre os dois estão rios, cachoeiras, ilhas, áreas rurais e comunidades que conservam características próprias.
Coroa Grande, Ilha da Madeira e Ilha do Martins estão entre os lugares mais procurados por visitantes. No interior do município, os rios Mazomba, Itingussú e Itimirim oferecem possibilidades de caminhadas, banhos de cachoeira e atividades de ecoturismo. Há ainda a Serra da Calçada e o Mirante do Imperador, a 628 metros de altitude.
É uma combinação que resume parte da riqueza do Estado do Rio: em relativamente poucos quilômetros, convivem Mata Atlântica, litoral, patrimônio histórico, comunidades tradicionais e uma das mais importantes estruturas logísticas do país.
A cidade do porto
Se a história explica as raízes de Itaguaí, o porto ajuda a explicar sua importância contemporânea.
Os estudos para a implantação do então Porto de Sepetiba começaram em 1973, ainda durante a existência do Estado da Guanabara. Depois da fusão da Guanabara com o antigo Estado do Rio de Janeiro, em 1975, a implantação ficou sob responsabilidade da Companhia Docas do Rio de Janeiro.
As obras começaram em 1976 e o porto foi inaugurado em 7 de maio de 1982, inicialmente com a operação do Terminal de Carvão.
Com o tempo, sua importância cresceu e o nome também mudou. O antigo Porto de Sepetiba passou a se chamar Porto de Itaguaí, estabelecendo de maneira inequívoca sua relação com o município.
Hoje, falar de Itaguaí é necessariamente falar de logística, indústria, comércio exterior e desenvolvimento.
É também falar de uma cidade que participa diretamente das grandes discussões sobre infraestrutura do Estado do Rio de Janeiro: ferrovias, rodovias, acessos portuários, desenvolvimento industrial, qualificação profissional e integração entre a Região Metropolitana, a Costa Verde e o Vale do Paraíba.
Uma cidade de mais de 120 mil habitantes
Itaguaí não é apenas um ponto no mapa logístico do Brasil. É a casa de milhares de fluminenses.
O Censo de 2022 registrou 116.841 habitantes. Para 2026, a estimativa apresentada pelo IBGE é de aproximadamente 124 mil moradores, distribuídos por um território de cerca de 283 quilômetros quadrados.
Outro número ajuda a dimensionar a força econômica local: o PIB per capita informado pelo IBGE para 2023 foi de aproximadamente R$ 97,4 mil.
São indicadores que revelam a dimensão econômica do município, mas que também suscitam uma questão fundamental para qualquer cidade marcada por grandes empreendimentos: como transformar riqueza econômica em qualidade de vida, oportunidades e desenvolvimento humano para quem mora ali?
Esse talvez seja um dos grandes desafios de Itaguaí.
O porto, a indústria e a logística podem gerar riqueza, empregos e arrecadação. Mas o desenvolvimento de uma cidade precisa chegar às ruas, aos bairros, às escolas, à saúde, ao saneamento, à mobilidade, à cultura e às oportunidades oferecidas às novas gerações.
Cultura e identidade
Há ainda uma Itaguaí que não aparece nas estatísticas econômicas.
A cidade possui uma interessante presença da comunidade japonesa. A história municipal registra a inauguração, em 1952, do Itaguaí Bunka Club, tradicional espaço da comunidade nipo-brasileira, e aponta Itaguaí como sede da maior colônia japonesa do Estado do Rio de Janeiro.
A antiga estação ferroviária também ganhou nova vida. Desde 2006, suas instalações abrigam a Casa de Cultura de Itaguaí, espaço dedicado a cursos, exposições, atividades culturais e à preservação da memória municipal. A cidade possui ainda Teatro Municipal e mantém a tradicional Expo Itaguaí, que reúne atividades agropecuárias, culturais e de entretenimento.
São exemplos de uma identidade construída pelo encontro de diferentes épocas e diferentes povos.
Itaguaí e o futuro do Rio
Talvez poucas cidades simbolizem tão bem algumas das possibilidades — e também dos desafios — do Estado do Rio de Janeiro.
Itaguaí reúne uma posição geográfica extraordinária, um porto estratégico, atividade industrial, patrimônio histórico, litoral, Mata Atlântica e proximidade com a maior concentração populacional e econômica do Estado.
Seu futuro, portanto, não interessa apenas aos itaguaienses.
Interessa ao Rio.
Pensar em Itaguaí é pensar a integração entre desenvolvimento econômico e desenvolvimento humano. É discutir como preservar a Baía de Sepetiba e a Mata Atlântica ao mesmo tempo em que se aproveita uma extraordinária infraestrutura logística. É qualificar trabalhadores para que os empregos produzidos pelos investimentos realizados no município também beneficiem sua população. É proteger a memória de uma cidade histórica sem impedir que ela avance.
Sobretudo, é compreender que o Estado do Rio de Janeiro não termina quando deixamos a capital.
Existem outros 91 municípios, cada um com sua história, suas dificuldades, suas potencialidades e sua contribuição para aquilo que chamamos de Rio de Janeiro.
Itaguaí é um deles.
Uma cidade que já foi caminho para quem seguia em direção ao interior do Brasil, que viveu da agricultura, que viu D. Pedro passar por suas terras, que enfrentou períodos de prosperidade e decadência e que voltou a ocupar posição estratégica na economia fluminense.
Entre a serra e a Baía de Sepetiba, entre a memória colonial e os grandes navios que cruzam seus terminais, Itaguaí representa um Rio que trabalha, produz, preserva sua história e procura construir o seu futuro.
Conhecer Itaguaí também é conhecer o Rio.
E conhecer o Rio por inteiro é uma das formas de aprender a amá-lo.
