Há 24 anos, quando eu tinha 20, realizei junto com meus amigos Adriano Gonçalves, Zé Reto e outros parceiros o 1º Machado Underground Metal Fest. Primeiro somente no nome, pois outros eventos memoráveis já haviam acontecido.
Este festival ficou conhecido como o “Underground do Barro”. O local era afastado do centro da cidade e não havia asfalto, mas sim muita terra, muito barro — um verdadeiro Woodstock em uma cidade com menos de 40 mil habitantes.
Eramos uma molecada que ainda morava com os pais, correndo atrás de patrocínio, venda de bebidas por consignação (“paga o que consome”) e aluguel de aparelhagem dependendo da bilheteria. O ingresso custava R$ 4, e recebíamos ônibus e vans de lotação vindos de cidades do sul de Minas — como Alfenas, Varginha, Paraguaçu e Poços de Caldas — além de excurssões do interior de São Paulo.
Bandas machadenses como a lenda do metal mineiro e prata da casa Corpse Grinder, Black Cross, Securitäte, Seventh Steel e Mercyless Empire faziam parte do cast. O evento contou também com a participação de nomes como Colapse NR (São Paulo), Antway (Poços de Caldas) e os veteranos do Expulser (Lavras). Todos ajudaram a eternizar um momento que ficou na memória e ajudou a consolidar o que Machado sabe fazer de melhor: música de vários estilos e ritmos, com identidade e consciência.
Um dos pontos marcantes foi a homenagem musical realizada para Chuck Schuldiner vocalista da banda Death, vítima de tumor cerebral.
Nesses 24 anos, bandas acabaram, outras gravaram CDs e DVDs, e novas surgiram com direito a turnê europeia. Membros foram para a universidade, alguns casaram e tiveram filhos. É isso: fomos criados e forjados no metal!
O objetivo daquele evento era simplesmente viver o momento. Nunca foi lucrar — e a maior prova disso é que, assim que o valor da entrada cobria os custos da organização, a portaria era liberada para quem quisesse entrar.
É verdade esse bilhete!

Cartaz original de 2001
