Isabel de Fátima Alvim Braga
Espalham por aí que o candidato da direita vai desmontar o SUS e acabar com a Farmácia Popular. O discurso é antigo, repetido em ciclo eleitoral: o outro lado é o inimigo da saúde pública, o que vai privatizar tudo, o que vai tirar o remédio gratuito da farmácia da esquina.
Enquanto isso, dentro do Castelo, a direção da Fiocruz já tratou de fazer o movimento estrutural às escondidas. Não é discurso de campanha. Mas a apresentação interna mostra “risco para as eleições”.
É minuta de anteprojeto de lei, elaborada junto com o Ministério da Saúde, o Ministério da Gestão e Inovação e suposto aval da Advocacia-Geral da União, que prevê converter a Fundação Oswaldo Cruz em “agência executiva”, criar duas fundações estatais de direito privado como subsidiárias e impor contratos de gestão.









O mesmo grupo que acusa opositores de querer acabar com o SUS opera, na prática, a transferência de capacidade produtiva pública e a flexibilização que críticos chamam de caminho para mercantilização. Quem vai lucrar com o mesmo desmonte dos hospitais universitários?
O anteprojeto materializa o “Reposicionamento institucional da Fiocruz”. Uma das subsidiárias seria a Fundação Estatal Bio-Manguinhos Fiocruz (FE-BIO). Se fosse da direita,seria chamado de privatização do SUS e anunciado aos 4 cantos pelo sindicato.
Seu artigo 14 da minuta lhe atribui finalidade de pesquisa, desenvolvimento científico e tecnológico, inovação, ensino e produção de insumos de saúde — e autoriza expressamente que ela participe da constituição, da gestão e do capital de sociedades empresariais privadas, bem como da constituição e do fomento de outras entidades privadas sem fins lucrativos, nos termos do Código Civil.
A outra subsidiária, Fundação Estatal Centro Brasileiro de Enfrentamento às Emergências em Saúde Pública (FECBESP), foi idealizada pelo Instituto Todos pela Saúde, entidade sem fins lucrativos cuja mantenedora é a Fundação Itaú. Há contratos de gestão previstos entre a Fiocruz e o Ministério da Saúde (com anuência do MGI) e entre a Fiocruz e as subsidiárias. A justificativa oficial fala em flexibilidade operacional, estabilidade da atuação no exterior e superação de restrições jurídico-administrativas.
O Fórum de Trabalhadoras e Trabalhadores da Fiocruz respondeu em carta de julho de 2026 pedindo a recusa integral do texto e a elaboração de uma nova lei orgânica com participação ampla, centrada em regime público, financiamento estatal, Regime Jurídico Único, integralidade institucional e controle social. Para os críticos, o desenho abre caminho para subordinar receitas e atividades a negócios e interesses externos.
Não é coincidência que os contratos de centenas de milhões e de bilhões se concentrem exatamente nas unidades que a gestão mais discute privatizar ou transformar em empresa. Bio-Manguinhos e Farmanguinhos produzem vacina, biofármaco e insumo em escala industrial. Por isso precisam de linha de produção, controle de qualidade, logística e mão de obra em volume alto. É nelas que aparecem os editais de R$ 1,3 bilhão para terceirizados, as compras de insumos e as obras de ampliação que o TCU e a CGU auditam com lupa. E é exatamente nessas unidades que o projeto de lei da FE-BIO e a conversa de parceria com o setor privado ganham força. Onde há dinheiro grande e atividade industrial, há fiscalização pesada e interesse de abertura.
A Escola Politécnica (EPSJV), a ENSP e o IOC são de outra natureza. Elas formam técnicos, pesquisadores e trabalhadores do SUS, fazem pesquisa básica e saúde pública. O gasto delas é com docente, bolsa, manutenção de laboratório e equipamento de pesquisa. Não têm linha de produção nem milhares de postos de trabalho industrial. Por isso não geram o contrato bilionário que vira manchete de sobrepreço ou restrição de competitividade. Os contratos existem, mas ficam em outra escala e raramente disparam o mesmo tipo de alerta do TCU e da CGU.
O padrão é direto: o dinheiro grande e a pressão de privatização se concentram onde já existe produção em escala. As escolas e os institutos de pesquisa ficam de fora dessa rota simplesmente porque não movimentam o mesmo volume. Enquanto a cúpula discute transformar a fábrica em empresa e o TCU suspende licitação de mão de obra, o Politécnico, a ENSP e o IOC continuam com o problema crônico de violência no entorno, de falta de insumo básico e de servidores que sobram para segurar o ensino e a pesquisa. O desmonte não precisa de contrato absurdo em todo lugar. Basta concentrar o dinheiro e a pressão onde o dinheiro já é grande.
Bio-Manguinhos e IFF: o que está em jogo?
O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) é a unidade da Fiocruz responsável por pesquisa, desenvolvimento tecnológico e produção de vacinas, kits diagnósticos e biofármacos para o SUS. Das 13 vacinas do calendário infantil, sete são fornecidas por ele (febre amarela, pneumocócica 10-valente, poliomielite inativada e oral, rotavírus, tríplice viral e tetraviral).
Em 2023, forneceu mais de 91,6 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunizações. Sua vacina de febre amarela é pré-qualificada pela OMS desde 2001 e exportada. O Complexo Tecnológico de Vacinas no campus de Manguinhos é um dos maiores da América Latina.
O projeto do Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (CIBS) em Santa Cruz, zona oeste do Rio, prevê campus de 580 mil m² e capacidade planejada superior a 120 milhões de frascos por ano. Documentos de controle e reportagens situam custos em torno de R$ 2 bilhões do Novo PAC para construção e pré-operação, com estimativas maiores (próximas de R$ 9 bilhões em modelagens mais recentes) para a implantação completa. Parte da infraestrutura preparatória já existe; a retomada foi anunciada com qualificação no Programa de Parcerias de Investimentos.
O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) é a unidade de assistência, ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico da Fiocruz voltada à saúde materno-infantil. Fundado em 1924, foi incorporado à Fiocruz nos anos 1970 e reconhecido como Instituto Nacional em 2010.
É hospital de ensino, referência nacional em pediatria de alta complexidade, cirurgia pediátrica, genética médica, neonatologia, ginecologia e obstetrícia. Opera o Centro de Referência Nacional da Rede Global de Bancos de Leite Humano e é considerado Hospital Amigo da Criança.
Realiza cerca de 4.500 internações, dezenas de milhares de atendimentos ambulatoriais, milhares de cirurgias e mais de 150 mil procedimentos diagnósticos e terapêuticos por ano, com cerca de 131 leitos. Faz cirurgia fetal intrauterina, atende doenças raras e crônicas, forma residentes e pós-graduandos.
A integração com o Hospital da Lagoa, formalizada por portaria do Ministério da Saúde em 2025, prevê reabertura gradual de leitos com R$ 170 milhões anunciados, mas enfrenta críticas de sindicatos, MPF e DPU: prédio sem alvará de bombeiros, questões elétricas e hidráulicas, risco de compressão de especialidades e redução de leitos. Custos anuais de terceirizados nos hospitais envolvidos são da ordem de dezenas de milhões.
Os contratos
Enquanto se anuncia o reposicionamento, os contratos seguem e os valores crescem. Em 2025 a Biomm fechou com o Ministério da Saúde pelo menos R$ 303,65 milhões em fornecimento de insulina ao SUS. Um contrato de cerca de R$ 142 milhões (junho) é de insulina humana, em parceria com a indiana Wockhardt e a Fundação Ezequiel Dias. Outro, de cerca de R$ 131 milhões (novembro), é de insulina glargina, em parceria com a chinesa Gan&Lee e Bio-Manguinhos/Fiocruz.
Há termo adicional de x g4i milhões para 2,01 milhões de doses. A PDP de glargina, formalizada em abril de 2025, prevê transferência de tecnologia para que o Insumo Farmacêutico Ativo seja produzido na planta de Bio-Manguinhos em Eusébio (CE), com investimento superior a R$ 930 milhões via Novo PAC e meta de 20 milhões de frascos ainda em 2025.
A formulação inicial ocorre na fábrica da Biomm em Nova Lima, inaugurada em 2024. Daniel Vorcaro, via Fundo Cartago ligado ao Banco Master, chegou a ser o maior acionista individual da Biomm (~25,86 %).
As PDPs de insulina com laboratórios públicos têm raízes anteriores, mas a escala dos contratos de 2025 coincide com essa participação. O Estado garante o mercado plurianual; o parceiro privado formula, embala e fatura
Na pandemia o padrão já estava montado. O contrato de Encomenda Tecnológica com a AstraZeneca, assinado em setembro de 2020, garantiu acesso a 100,4 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca e transferência de tecnologia para Bio-Manguinhos, a cerca de US$ 3,16 por dose. Havia compromisso de operação sem margem de lucro até 1º de julho de 2021.
O Ministério da Saúde previa repasse de cerca de R$ 522 milhões para estrutura de Bio-Manguinhos e cerca de R$ 1,3 bilhão em pagamentos previstos no contrato de encomenda. O contrato foi publicado (com redactions).
A transferência do IFA ocorreu em etapas; a produção 100 % nacional foi anunciada depois. Bilhões de reais públicos circularam. A autonomia produtiva prometida para 2021 ainda dependeu de ajustes, plantas e insumos.
O Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (CIBS) ilustra o mesmo movimento em escala maior. Contratado em agosto de 2022 no regime built-to-suit, o valor nominal chegou a cerca de R$ 9,73 bilhões, com parcela mensal da ordem de R$ 50,8 milhões. O TCU aprovou distrato em 29 de outubro de 2025 (Acórdão 2.522/2025), com ajuste de R$ 16,5 milhões ao consórcio.
O terreno em Santa Cruz permanece com pasto e alicerces depois de mais de um bilhão já gasto em etapas anteriores; máquinas de R$ 813 milhões ficaram encaixotadas desde 2018. Pregões e contratos de “apoio técnico” de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,44 bilhão em 24 meses (prorrogáveis) terceirizam milhares de postos e chamam faxina e serviços de facilities de apoio à produção de imunobiológicos. O dinheiro existe. O que falta é ponteira, penrose, luva de nitrila, capela que puxa ar e material básico no IOC.
Corruptos costumam acusar os demais do que são. Enquanto o Ministro da Magia manda espalhar em live que um candidato vai acabar com a farmácia popular, ele mesmo assina o desmonte do centro de vacinas e do banco de leite.
A hipocrisia da proteção ao trabalhador
O modelo se repete: o Estado financia infraestrutura, absorve tecnologia sob condições definidas no contrato e garante o mercado de longo prazo. O parceiro privado formula, embala e fatura. A subsidiária de direito privado no anteprojeto formaliza o que os contratos já supostamente são acusados de praticarem: porteiros sem uniforme, humilhações diversas, ameaças de perda de emprego e até rachadinhas.
Em abril de 2026, a Fiocruz demitiu o pesquisador João Santana da Silva (especialista em imunologia, professor aposentado da USP), por Portaria 423/2026, no âmbito do PAD 25380.001356/2023-69, sob suspeita de assédio. A defesa afirmou que a demissão é ilegal e pretende contestá-la.
O caso foi noticiado pela Folha de S.Paulo em 12 de maio de 2026. Vazamentos para a imprensa em processos administrativos e judiciais estão documentados: o próprio procurador da Fiocruz encaminhou material a jornalistas antes da ciência formal da interessada, e blogs e veículos reproduziram trechos de PAD ainda sob sigilo. Em PAD, a chefia da comunicação afirmou ter informado a UOL sobre o caso de servidora por orientação de superiores cujos nomes foram tarjados.
O servidor estável da Fiocruz agora enfrenta a possibilidade de virar CLT sem nunca ter recebido FGTS. É exposto a urânio em pó, benzeno e carcinogênicos em laboratórios.
Falta material para pesquisa básica no IOC. Chegou a hora de perceber que eu nunca fui a inimiga de vocês. O inimigo está visível. E está escondido atrás do Castelo.
Se todos que questionaram a gestão foram processados internamente e obrigados a assinar TACs com cláusulas de silenciamento pelo sigilo que só protege a cúpula corrupta e seu direito adquirido ao assédio – como já está acontecendo – a gestão terá se provado tao fascista quanto o governo que jura combater.
A ideia de liberdade do trabalhador tão propagandeada em slogans bonitos não condiz com chefes que proíbem funcionários de seguir servidores dissidentes.
A instituição que se apresenta como defensora dos trabalhadores da ciência pública opera, na prática, com uma das maiores forças de trabalho terceirizada do serviço público brasileiro.
Em Bio-Manguinhos — unidade de atividade-fim que produz vacinas e imunobiológicos para o SUS — os boletins de RH da própria Fiocruz mostram o descompasso: cerca de 1.866 terceirizados para apenas 177 servidores efetivos. Em momentos recentes a proporção chegou a 87% da força de trabalho da unidade.
O contrato de mão de obra que entrou em vigor em 2025 foi estimado em R$ 1,34 bilhão em dois anos (prorrogável até dez), para cobrir mais de 1.157 postos que vão de faxineiro a profissional que atua na linha de produção de vacina.
A empresa vencedora (Real JG Facilities) não precisou comprovar capacidade técnica na indústria de fármacos; o TCU chegou a suprimir a exigência e o processo gerou disputa judicial. Em outubro de 2026, trabalhadores da Nova Rio, outra prestadora, fecharam a pista lateral da Avenida Brasil em Manguinhos cobrando salários atrasados — a Fiocruz afirmou que havia repassado o valor, mas o dinheiro não chegou na conta do trabalhador.
Quando o contrato troca de empresa, o trabalhador não leva o tempo de serviço. Férias acumuladas se perdem ou são pagas de forma fracionada. O FGTS não acompanha a continuidade no mesmo posto.
Planos de saúde desaparecem ou são rebaixados porque a nova prestadora não quer o custo de quem tem mais idade — relatos internos e dissertações já registraram demissões de trabalhadoras mais velhas exatamente por causa do plano. Salários caem quando a planilha de custos do novo edital é recalculada para baixo. Ao perderem os planos, os trabalhadores terceirizados passaram a contar com ambulatórios da própria instituição e alegam tratamento desigual em relação aos servidores. Este é o SUS democrático?
O Ministério Público do Trabalho já moveu ação civil pública contra a terceirização de atividade-fim na Fiocruz; o acordo com a AGU em 2024 apenas adiou o problema, comprometendo a Fundação a substituir um terceirizado a cada nomeado em concurso, sem resolver a dependência estrutural.
No ICTB, o mesmo padrão se repete com bolsistas da Fiotec. Gente que entra em turno para conter e segurar filhote de macaco recebe bolsa, não vínculo, não FGTS, não férias regulares. E vira a noite com filhotes de macaco.
E os diversos acidentes de trabalho que sofrem por condições precárias não sao registrados no sistema do INSS porque teoricamente bolsista não é trabalhador. É o quê então? Alguns ousariam chamar de mão-de-obra escrava, pois não teriam férias e nem décimo terceiro. Por anos. E esse mesmo grupo que faz isso com as pessoas critica a escala 6 por 1.
Enquanto isso, a unidade comprou volumes de cetamina que, segundo os editais e notas fiscais públicas, equivalem a centenas de gramas — o suficiente para milhares de contenções de 30 mg.
O dinheiro público que poderia virar concurso, carreira estável e insumo básico de laboratório some em contrato de apoio e em frasco de cetamina. O servidor efetivo que sobra enfrenta a possibilidade de virar CLT sem nunca ter recebido FGTS.
O terceirizado e o bolsista já estão nessa condição. A cúpula que fala em defender o trabalhador da ciência pública é a mesma que sustenta o modelo que os deixa sem proteção quando o contrato acaba ou a empresa atrasa o repasse.
Vigiar e punir – o caso do RH
A Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST/Cogepe) da Fiocruz, a área que deveria cuidar da saúde de quem trabalha — servidor, terceirizado, bolsista, estagiário — não é dirigida por servidora estável.
A chefia aparece no organograma oficial como coordenadora da CST, subordinada à Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas (Cogepe).
A própria página da Fiocruz descreve a CST como instância executiva da Presidência, articulada à política de gestão de pessoas, responsável por vigilância dos ambientes, perícia oficial em saúde, análise de tempo especial, adicionais ocupacionais e atenção a todos os vínculos. Sem estabilidade, a coordenadora depende da nomeação de quem está acima e isso determina, em tese, necessidade de submissão a conflitos de interesse.
O que deveria ser proteção técnica vira espaço de pressão: quem manda no RH manda na saúde de quem denuncia, de quem adoece, de quem precisa de perícia.
A psicologia submetida a essa chefia precisa ter a ética necessária para manter o sigilo. Será que tem ou as informações vazam para as chefias? Como uma ouvidoria nomeada pela Presidência se comporta diante das denúncias de assédio?
A Cogepe concentra, no mesmo organograma, a gestão de pessoas, os contratos de terceirização, a creche, o desenvolvimento de RH e os Processos Administrativos Disciplinares.
O cargo comissionado que pode abrir ou influenciar PAD é o mesmo que responde pela saúde do trabalhador e pelo quadro de pessoal.
A Lei 8.112 exige comissão de servidores estáveis para o PAD justamente para garantir independência. Quando a estrutura que cuida da saúde e do RH está sob comando sem estabilidade, a independência some. Quem precisa de laudo, de adicional, de afastamento ou de defesa num processo disciplinar fica sob a mesma hierarquia que pode instaurar o processo.
A ética pública não comporta isso: o setor que deveria proteger o trabalhador não pode estar subordinado a quem tem interesse em silenciar ou pressionar o mesmo trabalhador.
A cúpula que fala em valorizar o servidor mantém a saúde do trabalhador sob comando precário e concentra no mesmo lugar o poder de cuidar e o poder de punir.
As eleições de 2026
Em agosto de 2026, durante o período de propaganda eleitoral, a ex-presidente da Fiocruz e candidata Nísia Verônica Trindade Lima (PT) divulgou agenda e registros de campanha com referência expressa à instituição, incluindo publicação em que afirmou textualmente: “Mais um dia de campanha, dessa vez na Fiocruz, um lugar que faz parte da minha história e que representa tanto para a ciência e para a saúde pública brasileira.”
Havia também registro fotográfico de distribuição de material de campanha e grupo de apoiadores no entorno identificado como Fiocruz, além de agenda indicando panfletagem na Av. Brasil. E posts de Instagram de membros do sindicato e trabalhadores supostamente prtencentes à comissão de ética.
A denúncia, protocolada no Sistema Pardal do TSE sob o número RJ202608261020545594 (tipificação: Bens Públicos), pediu que se distinguisse se a atividade se limitou à via pública ou se houve uso da área, do portão, do nome ou da estrutura da fundação pública federal como palco de campanha.
Oprotocolo e os anexos foram encaminhados para ciência da presidência, do gabinete, da ouvidoria e da auditoria interna da Fiocruz no mesmo dia. Não houve resposta. Menos de 2 semanas depois desse fato, a Comissão de Ética da Fiocruz já havia aberto processo de admissibilidade contra a denunciante.
Os planos do Cebolinha e o sindicato que faz samba
A FioSaúde (Caixa de Assistência Oswaldo Cruz) e o FioPrev (Instituto Oswaldo Cruz de Seguridade Social) são entidades fechadas ligadas à Fiocruz: a primeira administra o plano de saúde dos servidores; a segunda, a previdência complementar.
A governança de ambas tem forte influência da Presidência da Fundação — a FioSaúde, em particular, tem poder de indicação relevante vindo da cúpula.
Enquanto a narrativa institucional defende o SUS como modelo perfeito e suficiente, dirigentes e servidores de alto escalão ocupam cadeiras nesses planos privados, cujas contas já geraram questionamentos públicos (retirada de patrocínio no FioPrev com ação civil pública do MPF e acórdão do TCU sobre aportes da Fiocruz, despesas administrativas que continuam mesmo após o encerramento de planos ativos, reajustes elevados na FioSaúde e notificações de parcelamentos em atraso que pesam no bolso dos servidores).
Em agosto de 2026, foi protocolado na Receita Federal representação pedindo cruzamento fiscal de rendimentos (salários, bolsas Fiotec, jetons, honorários) de dirigentes e servidores vinculados à Fiocruz, Fiotec, FioPrev e FioSaúde, exatamente por indícios de sobreposição de cargos e de possíveis omissões ou inconsistências patrimoniais.
A pergunta que fica é simples: se o SUS é tão perfeito, por que a cúpula da Fiocruz precisa — e ocupa — a direção de um plano privado que endivida os próprios servidores e cujas contas levantam suspeita?
O sindicato que deveria ser a linha de frente na defesa dos servidores — a ASFOC — tem funcionado, na prática, mais como braço de apoio à gestão do que como freio ao desmonte.
Em vez de questionar com força a sobreposição de cargos e interesses entre a cúpula da Fiocruz e as entidades que deveriam existir só para os trabalhadores (FioSaúde e FioPrev), o sindicato aparece em notas e reuniões alinhadas ao processo de “resolução” das pendências do FioPrev (a retirada de patrocínio, a ação civil pública do MPF e o acórdão do TCU que obrigou a devolução de recursos da Fiocruz), sem confrontar o fato de que dirigentes da Fundação ocupam cadeiras nesses planos privados enquanto os servidores enfrentam reajustes pesados, parcelamentos e o risco de ficar sem o benefício.
Fazer samba de Oswaldo e organizar eventos de confraternização não é o papel do sindicato. Ser fotogradado em show na frente do castelo também não.
Evitar o desmonte — o esvaziamento dos laboratórios, a ameaça de CLT sem FGTS, a captura de recursos públicos por fundações de apoio e a lógica de plano privado que endivida quem deveria ser protegido — era.
Transportes – Piuí abacaxi
Os contratos de transporte da Fiocruz são outro exemplo de dinheiro público que some sem transparência — e o problema não é o benefício em si.
O ônibus que leva o técnico de Manguinhos para casa, o motorista que transporta hemocomponente de Bio-Manguinhos ou o veículo que atende o servidor de plantão não são o inimigo.
O inimigo é a conta que não fecha e a opacidade que impede de saber quanto desse dinheiro poderia estar, hoje, comprando reagente, consertando autoclave ou repondo a força de trabalho que falta nos laboratórios.
Em outubro de 2026 protocolou-se na Controladoria-Geral da União o pedido de acesso à informação nº 00106.024307/2026-65 pedindo o relatório da auditoria de 2022 sobre o transporte coletivo, o contrato unificado de transporte corporativo sob a Cogic e a separação clara entre esse serviço e os contratos de locação de veículos e de transporte de hemocomponentes de Bio-Manguinhos.
Encaminhamos o mesmo pedido à Auditoria Interna da Fundação, sem acusação, só pedindo exame. A própria CGU, naquela auditoria de 2022, já havia questionado o amparo legal da contratação e chegou a defender a descontinuidade do transporte coletivo.
A Fiocruz só manteve o serviço depois de muita articulação e da contratação de uma assessoria técnica da Coppe/UFRJ. O serviço continuou. A dúvida sobre quanto ele custa de verdade, e se custa o justo, não.
Enquanto isso, o valor gasto com ônibus e veículos continua misturado com outras locações, sem prestação de contas clara para quem depende dele todos os dias. Uma auditoria bem feita e um foco da Procuradoria na probidade administrativa não significam tirar o transporte do trabalhador. Significam descobrir onde está o sobrepreço, o aditivo desnecessário, a sobreposição de contratos e o desperdício que poderia voltar para os laboratórios.
Cada real que some em contrato opaco é um real a menos de insumo, de manutenção de equipamento ou de concurso que não sai. O benefício é legítimo. A conta precisa ser transparente. Porque o desmonte não começa só no anteprojeto de lei: começa também quando o dinheiro que deveria chegar à bancada some no caminho.
Só em 2023 o contrato de transporte coletivo da Fiocruz movimentou R$ 22,3 milhões.
O campus vive sendo perfurado e reasfaltado. No entanto, a parede do IOC descasca.
A Coordenação-Geral de Infraestrutura dos Campi (COGIC) é a área da Fiocruz responsável pelas obras, manutenção e gestão do espaço físico dos campi. Duas obras sob sua responsabilidade já foram examinadas por órgãos de controle e mostram o mesmo padrão: valor alto, execução falha e inconsistência entre o que foi prometido e o que ficou de pé.
A primeira é o Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (CIBS), em Santa Cruz, pensado para ser a maior fábrica de vacinas e biofármacos da América Latina. O contrato de locação sob medida (built to suit) assinado em 2022 com o consórcio NCPFI-RJ previa parcelas que, no cálculo do TCU, levariam o desembolso total a cerca de R$ 9,7 bilhões.
Só um consórcio apresentou proposta. Não houve execução plena: o consórcio não conseguiu captar o financiamento privado. Até abril de 2025 já tinham sido gastos cerca de R$ 1,28 bilhão em obras e equipamentos.
O terreno de 580 mil m² continua com alicerces e pasto. Equipamentos industriais comprados por cerca de R$ 813 milhões (valores atualizados pelo TCU) estão encaixotados desde 2018 em galpão alugado, gerando mais de R$ 14 milhões só de aluguel em três anos, com garantia expirada. O TCU auditou o contrato no Fiscobras 2024, apontou falta de transparência nos recursos geridos pela Fiotec (inclusive receitas de exportação de vacinas) e determinou prestação de contas.
Em outubro de 2025 o TCU homologou solução consensual que encerra o contrato sem penalidade às partes e com ajuste financeiro de cerca de R$ 16,5 milhões em favor do consórcio, em troca da transferência dos estudos técnicos para a Fiocruz. A fábrica não subiu. O dinheiro já saiu.
A segunda é o Centro de Pesquisas, Inovação e Vigilância em Covid-19 e Emergências Sanitárias (CPVICES / Pavilhão Luiz Fernando Ferreira), no campus Maré/Manguinhos. Orçado em R$ 206,9 milhões, foi contratado por dispensa de licitação sob justificativa de emergência da pandemia. A COGIC conduziu a obra. A CGU auditou e concluiu que a dispensa foi indevida: não havia urgência legal que justificasse a contratação direta, o planejamento foi inadequado para obra de grande vulto, houve restrição à competitividade e atraso. A controladoria apontou R$ 27,5 milhões em possível sobrepreço (custos acima do mercado) e R$ 33,6 milhões em antieconomicidade por incompatibilidade de sistemas estruturais e orçamento paramétrico frágil. Recomendou a reposição ao erário dos R$ 27,5 milhões. A Fiocruz contestou com grupo de trabalho interno e parecer de consultoria dizendo que o custo global era compatível, e ainda não devolveu o valor. A obra foi concluída e os laboratórios migraram, mas o relatório da CGU está publicado e a recomendação de ressarcimento permanece em aberto.
As inconsistências são as mesmas nos dois casos. Contrato de alto valor com modelagem complexa (parceria privada ou dispensa emergencial), execução que não entrega o que foi prometido no prazo, falta de transparência em parte dos recursos (Fiotec no CIBS) e órgãos de controle (TCU no CIBS, CGU no CPVICES) que já apontaram irregularidade e dano potencial ao erário. No CIBS a fábrica não existe. No CPVICES a obra existe, mas a CGU diz que parte do dinheiro saiu acima do mercado e sem o fundamento legal da dispensa. A COGIC é a unidade que gerencia essas obras. Os relatórios do TCU e da CGU já estão públicos. O que falta é a conta ser fechada.
Paraná que parece Brasília
O Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) é associação privada sem fins lucrativos criada em 1999 a partir de parceria entre a Fiocruz e o governo do Paraná (via Tecpar e SETI).
Ele funciona como braço de pesquisa aplicada, desenvolvimento de kits diagnósticos e produção industrial em Curitiba, ligado de perto ao Instituto Carlos Chagas / Fiocruz Paraná.
Na estrutura de governança pública do próprio IBMP, o presidente da Fiocruz, Mario Santos Moreira, aparece como presidente da Assembleia. Pedro Ribeiro Barbosa, diretor-presidente do IBMP, tem histórico direto na Fiocruz (incluindo passagem pela vice-presidência). Outros conselheiros e diretores também circulam entre as duas instituições.
O volume de recursos públicos que passa pelo IBMP é grande: no Portal da Transparência constam mais de R$ 1,7 bilhão recebidos do governo federal, notas fiscais emitidas acima de R$ 2 bilhões e dezenas de milhões em emendas e convênios.
Em agosto de 2026, na representação protocolada na Receita Federal pedindo cruzamento fiscal de dirigentes e servidores vinculados à Fiocruz, Fiotec, FioPrev e FioSaúde, o IBMP entrou exatamente por esse motivo: a sobreposição de cargos e interesses entre a alta administração da Fundação e a entidade privada que ela ajuda a governar.
A pergunta é a mesma que se faz com a Fiotec e com os contratos de transporte: se a ciência pública precisa de braços privados para produzir, por que a cúpula da Fiocruz ocupa cadeiras de direção e assembleia numa associação que movimenta bilhões em recursos públicos? E quem fiscaliza se o dinheiro que sai dos laboratórios de Manguinhos chega de volta em reagente, kit e pesquisa básica?
O desmonte
Os mesmos servidores que assistem, impassíveis, ao desmonte da estrutura pública e à transferência de capacidade produtiva para subsidiárias de direito privado parecem operar sob efeito da própria cetamina que o Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos comprou em escala industrial.
Cinco litros da substância — meio quilo puro, suficiente para mais de 16 mil contenções primatas de 30 miligramas — foram adquiridos por dispensa para um biotério cujo rebanho de macacos-prego e outros primatas não justifica, em qualquer conta razoável de dose por peso, o volume declarado.
A Polícia Federal controla a substância. O conselho de veterinária não respondeu pela morte de animais por calor. A auditoria interna não cruzou estoque com número de procedimentos.
Enquanto isso, a cúpula segue negociando contratos bilionários e emendas parlamentares milionárias e o servidor estável contempla a possibilidade de virar CLT sem FGTS.
Os dados do portal da Fiotec mostram uma forte concentração de emendas parlamentares individuais em poucos nomes, majoritariamente de partidos de esquerda (PT e PSOL), com destaque absoluto para a deputada Erika Kokay (PT-DF), que sozinha concentra empenhos superiores a R$ 40 milhões em múltiplos projetos entre 2021 e 2025. Em seguida aparecem Lindbergh Farias (PT-RJ), com um empenho de R$ 15 milhões em 2024 para o projeto “Favelas e Periferias pelo Direito à Vida”, Dimas Gadelha (R$ 11,5 milhões em 2025), Chico Alencar e Pastor Henrique Vieira (ambos do PSOL-RJ, com somas acima de R$ 11 milhões cada). Esses valores, que representam a maior parte do volume recente de emendas direcionadas à fundação de apoio da Fiocruz, revelam um padrão de destinação de recursos públicos federais via emendas impositivas para execução por uma entidade privada sem fins lucrativos, com baixa visibilidade pública sobre a destinação final dos recursos e sobre a prestação de contas detalhada dos projetos.
A anestesia dissociativa, no papel, serve para imobilizar o primata. Na prática institucional, parece ter imobilizado quem deveria fiscalizar. O inimigo não está escondido. Está atrás do Castelo, contando com a complacência de quem já não sente mais a dor.
Enquanto a bolsa Fiotec era distribuída a servidores da Ouvidoria, da comunicação e de cargos de confiança — transformada em instrumento de silêncio e de alinhamento —, os laboratórios de pesquisa básica do IOC eram esvaziados por trás. Faltava ponteira, penrose, luva de nitrila, capela que puxasse ar de verdade e material mínimo para o experimento que já estava aprovado.
O servidor efetivo, aquele que não recebia bolsa nem tinha cargo de confiança, improvisava com o que sobrava e ainda era exposto a urânio em pó sem contenção adequada.
A mesma instituição que pagava complementação salarial para quem deveria fiscalizar desmontava, em silêncio, a capacidade de fazer a ciência que justificava sua existência.
A bolsa não era só dinheiro. Era a moeda com que se comprava o silêncio de quem deveria ter denunciado a falta de tudo. E enquanto uns assinavam o termo de concessão, outros viam o laboratório esvaziar e o primata morrer de calor.
Acordem. Eu sou o inimigo que eles criaram para que vocês nao vissem a bala apontada pra vocês. E pra todos os usuários do SUS. Ouvidoria. Procuradoria. Auditoria. Comissão de ética pública. Corregedoria. Parecem processar os divergentes se valendo dos nomeados pelo proprio presidente e não declaram seus conflitos de interesse. Parecem não ter entendido as regras legislativas. Al Capone também não. Mas a receita federal sacou tudo.
Vocês não são o meu inimigo. Nunca foram. O servidor da Fiocruz que chega de madrugada para manter o laboratório funcionando, que improvisa quando falta ponteira, que segura a pesquisa básica com o que tem, que trata o primata com o cuidado que a bula não descreve e que ainda assim é exposto a urânio em pó — esse servidor é a própria razão de existir do Castelo.
A chefia do Castelo deveria existir para garantir que seja cumprida a função existencjal da ínstituição: produção de farmacêuticos, pesquisa e atendimento de saúde. Agora, a cupula que o chefia existe apenas para garantir a manutenção de bolsas, cargos e contratos regidos por seus próprios conflitos de interesse.
A história desta casa não foi escrita por quem assina contrato bilionário nem por quem transforma fundação pública em subsidiária de direito privado.
Foi escrita por gente que acreditava que a ciência podia servir ao SUS, que a vacina podia ser nacional, que o hospital infantil podia continuar sendo referência e que o laboratório não precisava pedir desculpa por existir.
A cúpula de vidro rachou. Não porque vocês falharam. Rachou porque, enquanto vocês discutiam entre si se eram de esquerda ou de direita, se apoiavam ou não apoiavam, alguém aproveitou o ruído para transferir capacidade produtiva, para assinar encomendas tecnológicas de bilhões, para comprar cetamina em volume incompatível com o rebanho e para transformar o servidor estável em ameaça de CLT sem FGTS. O urânio ficou no ar. O material básico sumiu. O primata morreu de calor.
E a narrativa oficial continuou dizendo que o perigo vinha de fora. Vocês foram treinados para defender a instituição. Agora a instituição precisa que vocês a defendam de quem está dentro dela.
A escolha do presidente da Fiocruz é regida pelo Estatuto da Fundação (aprovado e consolidado por decreto, com a versão vigente referenciada no Decreto nº 8.932/2016 e atualizações), que determina que o presidente seja escolhido em lista tríplice indicada pela comunidade de servidores da instituição, conforme o regimento interno, e nomeado pelo Presidente da República mediante indicação do Ministro da Saúde, com mandato de quatro anos, admitida uma recondução.
Na prática, a comunidade (servidores efetivos) vota de forma secreta e plurinominal; a lista tríplice é formada pelos três candidatos mais votados (com regra de corte mínimo de cerca de 30% dos votos válidos e ordenação por soma de posições), homologada pelo Conselho Deliberativo e encaminhada ao Ministério da Saúde. Tradicionalmente o governo nomeia o mais votado, embora a nomeação final continue sendo ato discricionário da Presidência da Presidência. Nunca esteve escrito que cada servidor poderia votar em 3. Muitos caíram nessa.
No Estatuto da Fiocruz (Decreto nº 8.932/2016, art. 3º, §1º, e na versão atualizada pelo Decreto nº 11.228/2022), a lei federal diz apenas que o presidente “será escolhido em lista tríplice, indicada pela comunidade de servidores da FIOCRUZ, de acordo com o regimento interno”. Não existe no texto federal a obrigação de cada eleitor votar em três nomes, nem regra de preferência ordenada, nem soma de posições. A lei só exige que a comunidade indique três nomes; o resto fica para o regimento interno da própria instituição.O Regulamento Eleitoral da Fiocruz (2020, arts. 12 e 21; e o de 2012 com texto equivalente) inventou a parte operacional: “Cada eleitor poderá votar em até 3 (três) candidatos, devendo indicar a ordem de preferência para primeiro, segundo e terceiro lugares.” Depois a lista tríplice é montada pela soma dos votos de 1º, 2º e 3º lugar, com corte de 30% na soma total. Ou seja: a lei federal manda apenas a lista de três nomes; a regra de “cada um vota em até três, com ordem de preferência” foi criada internamente pelo próprio regulamento da Fiocruz, aprovado pelo Conselho Deliberativo.VademecumprevidenciarioNão é exigência da legislação federal. É regra interna.
Nas eleições, servidores eram manipulados a acreditar que, ao convencer todo mundo que era lícito colocar 3 candidatos e fazer cada servidor votar em 3 para tirar o candidato da direita e sempre apresentar ao governo a lista tríplice que interessava ( Aos gafanhotoso que devorariam tudo até não sobrar nada. Nunca aos servidores ou aos usuários do SUS), estariam ajudando. Foram enganados sumariamente.
Chegou a hora de perceber que o inimigo não está no servidor do lado. Não está no colega que discorda de você. O inimigo está visível. Está escondido atrás do Castelo, contando com o silêncio de quem ainda acredita que a ciência vai sobreviver sozinha. Ela não vai. A história desta casa sempre foi escrita por quem se recusou a ficar anestesiado. Vocês ainda podem escrevê-la. O ilusão coletiva de que estavam fazendo o correto e não aceitando uma fraude eleitoral corrupta em forma de auto-defesa levou a cúpula ao poder. Por anos, usou-se o medo dos servidores
Vocês vão continuar votando neles? Com medo da Barata que resistiu ao processo de radiação, as formigas, os grilos e as abelhas apoiaram os gafanhotos. Os gafanhotos comeram toda a lavoura e quando iam ser expulsos, tentaram ser defendidos pelo inseticida.
Eu entendo e respeito as divergências entre esquerda e direita. Mas a postura do Super Mario no castelo não tem defesa pra nenhum dos polos.
Isabel Braga – Médica, doutora e perita. Nesse artigo, deixa claro que não representa a opinião da Fiocruz. E jamais se sentirá representada pela turma do desmonte.

Referências:
Anteprojeto de lei / Reposicionamento institucional da Fiocruz (conversão em agência executiva + fundações estatais de direito privado FE-BIO e FECBESP, contratos de gestão, art. 14 da minuta autorizando participação em sociedades privadas)Documentos internos e carta do Fórum de Trabalhadoras e Trabalhadores da Fiocruz (julho/2026) pedindo recusa integral do texto.
Participação do Ministério da Saúde, MGI e AGU na elaboração da minuta.Bio-Manguinhos – produção e númerosSite oficial Bio-Manguinhos / Portal Fiocruz: 7 das 13 vacinas do calendário infantil; >91,6 milhões de doses em 2023; vacina febre amarela pré-qualificada OMS desde 2001.Complexo Tecnológico de Vacinas em Manguinhos (um dos maiores da América Latina).CIBS – Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (Santa Cruz)Contrato built-to-suit 2022, valor nominal ~R$ 9,73 bilhões, parcela mensal ~R$ 50,8 milhões.Acórdão TCU 2.522/2025 (29/10/2025): solução consensual, distrato, ajuste ~R$ 16,5 milhões ao consórcio.O Globo (20/04/2025): terreno ainda pasto, >R$ 1,2 bi gastos em 16 anos, equipamentos R$ 813 milhões encaixotados desde 2018, aluguel de depósito.Portal TCU / Fiscobras 2024: irregularidades, falta de transparência Fiotec, determinação de prestação de contas.https://portal.tcu.gov.br/imprensa/noticias/tcu-aprova-solucao-consensual-sobre-complexo-industrial-de-biotecnologia-em-saudehttps://oglobo.globo.com/rio/noticia/2025/04/20/terreno-da-maior-fabrica-de-vacinas-do-brasil-ainda-e-so-mato-apesar-de-r-12-bi-gastos-em-16-anos.ghtmlCPVICES / Pavilhão Luiz Fernando Ferreira (obra COGIC)Contrato por dispensa ~R$ 206,9 milhões.Relatório CGU: dispensa indevida, R$ 27,5 milhões possível sobrepreço, R$ 33,6 milhões antieconomicidade.https://www.metropoles.com/colunas/tacio-lorran/cgu-manda-fiocruz-devolver-r-275-milhoes-por-superfaturamento-mas-entidade-reageRelatório: https://eaud.cgu.gov.br/relatorio/1268628Contratos de mão de obra / terceirização Bio-ManguinhosPregão 262/2023, valor estimado ~R$ 1,34–1,44 bilhão (24 meses, prorrogável).TCU (processo TC 040.253/2023-6): representação, suspensão temporária, questões de capacidade técnica e competitividade.O Globo (23/10/2024): empresa Real JG Facilities não precisou comprovar capacidade técnica plena.Boletins Estatísticos de Pessoal Fiocruz: ~1.866 terceirizados × 177 efetivos (até ~87%).Acordo AGU / MPT 2024: substituição gradual de terceirizados por concursados (sem resolver dependência estrutural).Protesto Nova Rio (outubro/2026): salários atrasados na Avenida Brasil.Biomm / insulina / Daniel VorcaroContratos MS 2025: ~R$ 303,65 milhões (humana ~R$ 142 mi + glargina ~R$ 131 mi).PDP glargina (abril/2025), transferência de tecnologia para Bio-Manguinhos Eusébio (CE), investimento >R$ 930 milhões Novo PAC.Participação Fundo Cartago / Banco Master (~25,86%).Contrato AstraZeneca / Encomenda Tecnológica 2020~100,4 milhões de doses, ~US$ 3,16/dose, repasses previstos ~R$ 522 mi estrutura + ~R$ 1,3 bi no contrato.Documentos públicos do MS / Fiocruz (com redactions).IFF + Hospital da LagoaPortaria MS 2025 (integração, R$ 170 mi anunciados).Críticas de sindicatos, MPF e DPU: alvará de bombeiros, questões elétricas/hidráulicas, risco de redução de leitos.Demissão João Santana da SilvaPortaria 423/2026, PAD 25380.001356/2023-69.Folha de S.Paulo (12/05/2026).Lei 8.112/1990 (PAD – comissão de servidores estáveis)Artigos sobre processo administrativo disciplinar e independência da comissão.Estatuto da FiocruzDecreto nº 8.932/2016 (e atualização Decreto nº 11.228/2022), art. 3º §1º: presidente escolhido em lista tríplice indicada pela comunidade conforme o regimento interno.Regulamento Eleitoral Fiocruz 2020 (e versões anteriores)Arts. 12 e 21: cada eleitor pode votar em até 3 candidatos, indicando ordem de preferência (1º, 2º e 3º).PDF oficial: https://fiocruz.br/sites/fiocruz.br/files/documentos/fiocruz_-_regulamento_eleitoral_2020.pdfFioSaúde e FioPrevAção civil pública MPF (retirada de patrocínio FioPrev).Acórdão TCU sobre aportes da Fiocruz e despesas administrativas.Representação Receita Federal (agosto/2026) sobre cruzamento fiscal de dirigentes.Transporte coletivo / COGICContrato 2023: ~R$ 22,3 milhões.Auditoria CGU 2022: questionou amparo legal e chegou a defender descontinuidade.LAI/CGU nº 00106.024307/2026-65 (pedido do relatório e separação de contratos).IBMP (Instituto de Biologia Molecular do Paraná)Portal da Transparência: >R$ 1,7 bilhão recebidos do governo federal.Governança: Mario Moreira (presidente da Assembleia), Pedro Ribeiro Barbosa e outros com passagens pela Fiocruz.Inclusão na representação à Receita Federal (agosto/2026).Cetamina / ICTBEditais e notas fiscais públicas de dispensa (volumes equivalentes a centenas de gramas / milhares de contenções de 30 mg).Controle pela Polícia Federal (substância controlada).Denúncias ao CRMV e auditoria interna (mortes por calor, ausência de cruzamento estoque × procedimentos).Denúncia TSE / PardalProtocolo RJ202608261020545594 (bens públicos) sobre uso de estrutura da Fiocruz em campanha de Nísia Trindade (agosto/2026).
