Autor: Silver Dan Wúrà Marraz

A autoridade da Justiça não nasce da ideia de que seus julgadores sejam infalíveis, mas da certeza de que, quando a dúvida alcançar também aqueles que julgam, a verdade continuará valendo mais do que a toga. Existe algo profundamente desconcertante em assistir aos homens encarregados de dar a última palavra sobre os conflitos do país envolvidos, eles próprios, em um conflito que já não consegue permanecer entre as paredes do tribunal. Para o cidadão comum, acostumado a enxergar o Supremo Tribunal Federal como o lugar ao qual chegam as questões depois que todas as outras portas parecem ter sido fechadas,…

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Há escândalos que revelam crimes. Outros revelam sistemas. O caso do Banco Master começa a pertencer à segunda categoria. Quanto mais suas ramificações aparecem, menos suficiente se torna tratá-lo como a história convencional de uma instituição financeira que entrou em colapso. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial de instituições do conglomerado em novembro de 2025, apontando grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. Desde então, investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras bilionárias, lavagem de dinheiro, corrupção e tráfico de influência alcançaram o universo político e produziram uma crise…

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Um olhar crítico sobre a indiferença à realidade Às vezes, eu vejo ou ouço algumas coisas e penso: quando a minha paciência for embora, é melhor você ir também. Penso porque é muito chato estar com pessoas desinformadas, petulantes, arrogantes, arrotadoras de problemas e consumidoras de pseudoverdades que preferem propagar a mentira a pararem um pouco e buscarem a verdade. Eles me lembram as palavras do filósofo Friedrich Nietzsche, que tratou as convicções como inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras. Mal sabia ele que o que mais temos é INTELECTUAIS DE NADA, que nem sequer abrem um…

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As imagens que chegam do Nepal e do Tibete parecem desafiar nossa compreensão da força da natureza. Uma massa gigantesca de água, gelo, pedras e lama avançando por vales do Himalaia, destruindo casas, estradas, pontes e comunidades inteiras em poucos instantes. Centenas de pessoas morreram e mais de mil continuam desaparecidas. Entre elas estão moradores, trabalhadores, turistas e peregrinos de diferentes nacionalidades. Diante de uma tragédia dessa dimensão, a primeira reação inevitável é contar vítimas. A reflexão que deveria vir imediatamente depois, entretanto, é mais difícil: até que ponto continuaremos chamando determinados acontecimentos simplesmente de “desastres naturais”? A catástrofe começou…

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O primeiro debate presidencial de 2026 produziu uma situação politicamente reveladora: os personagens que mais influenciaram o encontro foram justamente aqueles que não estavam no palco. A ausência de Lula e Flávio Bolsonaro, principais nomes nas pesquisas eleitorais, transformou-se em um dos assuntos centrais da noite e expôs uma característica importante da atual disputa pelo poder no Brasil. Mais do que perguntar quem venceu o debate, talvez seja necessário perguntar o que significa, para uma democracia, quando os candidatos eleitoralmente mais competitivos concluem que participar de um confronto público pode representar mais risco do que oportunidade. Do ponto de vista…

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Quando a política revela desconhecimento da educação através até de influenciadores digitais Por Silver D’Madriaga Marraz De tempos em tempos, surgem propostas que prometem resolver os problemas da educação por meio da vigilância. A mais recente delas defende a instalação de câmeras com gravação de áudio em salas de aula, permitindo que pais tenham acesso às gravações e que professores possam ser responsabilizados caso utilizem o ambiente escolar para suposta “doutrinação político-partidária”. Embora apresentada como uma medida de transparência, a proposta revela, antes de tudo, um profundo desconhecimento sobre o funcionamento da escola, o trabalho docente e a própria natureza…

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Por Silver D’Madriaga Marraz O episódio envolvendo uma influenciadora estrangeira que imitou um macaco ao se dirigir a um trabalhador no Rio de Janeiro ultrapassa o campo do escândalo momentâneo e revela algo muito mais profundo sobre comportamento humano, limites sociais e responsabilidade individual. Não se trata apenas de um ato ofensivo isolado, mas de um sintoma de como preconceitos, arrogância e falta de consciência emocional ainda se manifestam, muitas vezes travestidos de “brincadeira”, “impulso” ou “desconhecimento”. Esse tipo de atitude expõe não só quem a pratica, mas também fragiliza o tecido social que sustenta o respeito entre as pessoas.…

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Por Silver D’Madriaga Marraz A condenação do homem que matou um idoso com uma “voadora” no meio da rua, resultando em uma pena de 27 anos de prisão, ultrapassa o campo da notícia policial e se transforma em um espelho incômodo da sociedade contemporânea. Não se trata apenas de um crime brutal, mas de um retrato claro de como a intolerância, a impulsividade e a incapacidade de lidar com frustrações mínimas podem produzir consequências irreversíveis. Um gesto de segundos foi suficiente para interromper uma vida, destruir uma família e condenar outra pessoa a passar décadas privada de liberdade. O episódio…

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Por Silver D’Madriaga Marraz Mãe Carmem não é apenas uma Iyalorixá respeitada. Ela é memória viva, liderança espiritual, guardiã de tradições e exemplo concreto do poder que nasce quando a fé se transforma em força comunitária. Em cada gesto, oração, orientação e ritual, ela reafirma uma verdade fundamental: o candomblé não é apenas religião — é território de dignidade, de identidade, de acolhimento e de reconstrução emocional para um povo historicamente perseguido. Ao longo de sua trajetória, Mãe Carmem ajudou a manter viva uma herança ancestral que atravessou oceanos, resistiu à escravidão, enfrentou o racismo religioso e sobreviveu ao apagamento…

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Por Silver D’Madriaga Marraz No final de dezembro de 2025, um comercial da Havaianas, estrelado por Fernanda Torres, fez algo que a publicidade sempre fez: usou uma expressão popular, brincou com linguagem, apostou em leveza e tentou dialogar com o espírito de virada de ano. A campanha sugeria começar o novo ano não apenas “com o pé direito”, mas com os dois pés — na vida, nas escolhas, na estrada. Uma metáfora simples, cotidiana, quase banal. Ainda assim, o Brasil mostrou que até o banal pode se transformar em campo de batalha. O que era uma peça publicitária virou, em…

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