José Augusto Vaz
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na quinta-feira (5), no Palácio da Alvorada, com ministros, ex-ministros e economistas para discutir os rumos da economia brasileira. O encontro terminou sem anúncio de medidas específicas de ajuste fiscal, justamente em um momento de cobrança por respostas para o crescimento das despesas públicas e da dívida.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a conversa abordou a taxa de juros, a pressão dos combustíveis sobre o custo de vida e a necessidade de fortalecer as regras fiscais. Segundo ele, a Fazenda e o Ministério do Planejamento, comandado por Bruno Moretti, vão organizar propostas para apresentar ao presidente depois de seu retorno da viagem à Turquia. Não foi informado um prazo para a divulgação de decisões.
Participaram da reunião o vice-presidente Geraldo Alckmin, as ministras Miriam Belchior e Esther Dweck, os ex-ministros Fernando Haddad e Guido Mantega, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e os economistas Luciano Coutinho, Eduardo Moreira e Laura Carvalho, entre outros.
O problema é que discutir a situação econômica não substitui a apresentação de um plano. O governo precisa explicar como pretende conciliar compromissos de campanha, programas públicos e controle das contas. Também precisa demonstrar de onde virão os recursos e quais prioridades serão preservadas.
A pressão não parte apenas do mercado financeiro. Juros elevados, combustíveis e incerteza fiscal afetam empresas, trabalhadores e famílias. Sem metas claras e medidas verificáveis, o discurso de responsabilidade econômica perde força.
O país não precisa apenas de mais reuniões sobre a economia. Precisa de decisões, prazos e transparência sobre seus efeitos. Nossa dúvida que urge por resposta é: quando o governo apresentará um caminho concreto para equilibrar as contas sem transferir a conta da indefinição para a população?
