Em outras culturas, ela teria se tornado uma entidade com grandes poderes — uma mulher capaz de rasgar o véu que separa o mundo dos vivos e dos mortos.
Na minha juventude, sim, eu mesmo, era comum ir ao Cemitério da Saudade, em Machado (MG), com um grupo de amigos para tomar um vinho. A Maria do Cemitério nos recebia com carinho e dizia que ali estavamos seguros, longe da violência dos bares.

Certa vez, ela protagonizou um momento inesquecível: entrou no bar do saudoso Preciodo , ao lado do antigo Xuxu Drinks distribuindo tulipas com um sorriso no rosto, celebrando a juventude de todos que estavam ali.
Parece uma personagem de ficção, mas a Maria do Cemitério existiu. Uma figura icônica e inesquecível da nossa terra, considerada por muitos a única mulher coveira do mundo, e de fato era.

Ela começou a trabalhar ainda criança, com menos de 10 anos, acompanhando o pai. Em uma época com poucos médicos na cidade, chegou a realizar autópsias. Muito jovem, apenas com 8 anos de idade, fez do cemitério seu ganha pão, sua morada e, em 2017, descansou aos 77 anos, no lugar que tanto cuidou, um busto em sua homenagem foi instalado.
Que história! Uma verdadeira lenda de Machado que merece ser eternizada.
Quando passar pelos portões do Cemitério da Saudade, peça licença a Maria!


